São Paulo, 01 (AE) - Da turma que não está no MorumbiFashion, as trajetórias internacionais de Lorenzo Merlino e Serpui Marie merecem registro. Como Herchcovitch, Merlino também colocava suas roupas na mala e levava a Nova York. Na época desta exportação informal, dois anos atrás, Merlino conseguiu emplacar roupas em algumas lojas, como a Steven Alan, Tops & Bottoms e TG 170. Hoje ele tem um representante oficial em Paris e pontos-de-venda em Nova York, Londres e Berlim. Semana que vem estará com seu inverno 2000 no showroom londrino, aproveitando a movimentação da London Fashion Week.
Conhecida como brazilian designers, Serpui Marie tem bolsas, calçados e acessórios seus à venda na Colette e Printemps, em Paris, Language e Calypso, em Nova York, mais Fred & Seagle, em Los Angeles. Exemplos de sucesso não faltam e até os números atestam o bom momento pelo qual passa a indústria da moda brasileira. O setor tem mais de 20 mil empresas. Juntas, geram 1,5 milhão de empregos, tendo criado 40 mil só em 99. As exportações de têxteis registraram alta de 27% - em volume de negócios - só em dezembro de 99. Em 1980, o Brasil detinha 1% do comércio mundial de têxtil, equivalente a US$ 1 bilhão.
A meta da Associação Brasileira da Indústria Têxtil é recuperar essa participação, que hoje representará um movimento de cerca de US$ 4 bilhões, já que o negócio da moda no mundo faz circular aproximadamente US$ 400 bilhões. "Temos de valorizar o made in Brasil, vender o País como grife. Se o País adquire a confiança do comprador, vender o produto fica muito mais simples", acredita Paulo Scaf, presidente da Abit. Confecções, entendidas aqui como vestuário e moda lar (cama, mesa e banho), representam 50% dos negócios com o exterior. Para atingir suas metas, o segmento vem investindo em maquinário e tecnologia. "Houve também uma mudança de mentalidade do empresário", diz Scaf.
Os industriais têm colocado a mão no bolso. Nos últimos sete anos, o setor investiu US$ 7 bilhões e tem planos de injetar outros US$ 10 bilhões nos próximos oito anos. "Vamos participar de oito feiras no exterior, onde realizaremos desfiles menores", informa Scaf. Por aqui, serão realizadas duas Interstof , em março e outubro, duas feiras de moda íntima, a Tectextil e a HeimTextil, que vem ao Brasil em junho. (D.B.)

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