Abiquim critica preços em estudo pela Aneel
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Carin Homonnay Petti 
São Paulo, 21 (AE) - A construção de usinas termoelétricas não deve aliviar muito o caixa da indústria química. Afinal, o preço de referência em estudo pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de R$ 48 por MWh, supera as tarifas atuais. "Hoje a média paga pelos grandes consumidores é de é 45, já incluídos gastos com geração e transmissão", diz o gerente de energia elétrica da White Martins, José Pires Moraes. Segundo ele, se acrescidas as duas despesas, o preço em discussão na Aneel aumentaria para algo entre R$ 55 e R$ 60 por MWh tanto para energia das hidroelétricas como para a das termoelétricas.
A agência, porém, rebate. "Se não houver preço justo, não haverá interessados em investir na construção de termoelétricas", argumenta o assessor da diretoria geral da Aneel, Fernando Cézar Maia. E continua: "O contribuinte não pode pagar a conta". A Abiquim insiste, contudo, que o preço é alto. Para o coordenador da comissão de energia da entidade, Marcelo Motta, a despesa total máxima aceitável para os grandes consumidores da indústria química do setor fica entre entre US$ 28 e US$ 30 por MWh. E argumenta: "Em setores como cloro-soda, a energia elétrica responde por algo entre 30% e 40% dos custos.
Motta, Maia e Moraes participaram de reunião ontem, na sede da Abiquim em São Paulo, para discussão do cenário para oferta e demanda de energia para o setor. Entre os principais assuntos em pauta esteve a fragilidade do sistema. "O plano de geração foi para o espaço e agora precisamos de chuvas cada vez mais intensas para garantir o fornecimento de energia", alertou
no encontro, Paulo Ludmer, executivo da Abrace (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia). "Estamos dependendo de Deus como parceiro para que nos mande muita água"
acrescenta.
Há, porém, quem discorde de tanto pessimismo. Para Humberto Prado, executivo do Operador Nacional do Sistema (ONS), só haverá problemas no sistema elétrico se as chuvas ficarem nos mesmos níveis registrados em seis anos da série histórica de 66 anos. E mesmo nesse caso, ele descarta a possibilidade de racionamento.


