A Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) ainda acredita que seu lobby possa impedir a aprovação, no Senado, do projeto de lei que proíbe a propaganda de cigarros, aprovado anteontem pela Câmara. Caso isso não ocorra, a associação promete entrar com ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal de Justiça (STJ). ‘‘A Constituição garante o direito à liberdade de propaganda e só prevê restrições no caso do tabaco, álcool e medicamentos - não prevê o banimento’’, diz o presidente da entidade, Afrânio Nabuco.
Já o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Rádio e TV (Abert), Joaquim Mendonça, acredita que a aprovação é inevitável, embora lamentável. Fumante há quase 60 anos (começou aos 12) e com câncer de pulmão diagnosticado há um ano, ele é ferrenho defensor da liberdade dos anunciantes: ‘‘Fumo por opção, não pelo anúncio - proibir é a volta da censura, fere a liberdade de expressão’’, argumentou. ‘‘Se o cigarro faz tanto mal como as outras drogas, como diz o ministro da Sa© úde, o coerente seria proibir sua fabricação.’’
Mendonça disse que a proibição terá impacto insignificante no faturamento publicitário das rádios e TVs, uma vez que o setor hoje já ocupa espaço pequeno nesse mercado.
Na posição oposta, o jornalista José Carlos Gomes, que perdeu as duas pernas e os movimentos dos braços em decorrência de problemas circulatórios causados pelo cigarro, recebeu com alegria a notícia da proibição. ‘‘Comecei a fumar aos 10 anos, muito influenciado pela propaganda e não consegui parar nem depois da amputação da primeira perna’’, conta Gomes, que já sofreu 12 derrames. Há cinco anos, ele aguarda a decisão da Justiça sobre ação de indenização contra a Souza Cruz.

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