São Paulo, 07 (AE) - A Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma) rebateu hoje as acusações do ministro da Saúde, José Serra. Em entrevista coletiva, realizada em São Paulo, José Eduardo Bandeira de Mello, presidente da entidade, disse que o ministro terá de optar entre empresas que praticam "empurroterapia", tentando passar remédios similares como genéricos, e laboratórios éticos e sérios, como são, segundo ele, os associados da Abifarma.
Por enquanto, não há genéricos no mercado, apenas medicamentos similares, que, embora tenham o nome de genéricos, não passaram pelos testes obrigatórios estipulados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS). Esses testes garantem a qualidade do produto. Para esclarecer essa questão, a Abifarma fez uma série de informes publicitários, que foram criticados pelo ministro. Para Bandeira de Mello, esses informes "são essenciais" e suas informações visam esclarecer a população e a classe médica. "Não somos como algumas empresas que estão fazendo propaganda enganosa, chamando similar de genérico".
Entre os benefícios dos genéricos, o mais relevante para o consumidor é o fato de serem mais baratos que os de marca. Já os similares não podem substituir essas drogas mais caras. "As empresas que estão fazendo propaganda de similar como genérico querem ganhar mercado", disse Bandeira de Mello. "Mas isso é ilegal, se não estiver explicitado na receita médica". Laboratórios - Waltersei de Melo, do Laboratório Teuto, acusado pela Abifarma de fazer "propaganda enganosa" (vender remédio similar como genérico) e "empurroterapia" (dar brindes aos farmacêuticos que vendem seus produtos), disse que a associação está "com medo" de perder mercado com a entrada dos genéricos. "Os grandes laboratórios multinacionais representados pela Abifarma vão ter as vendas reduzidas", disse.
Segundo ele, o Teuto tem na sua carteira de produtos muitos remédios que sempre foram vendidos pelo nome do princípio ativo, como a dexametazona ou o diclofenaco de sódio. "Nosso maior problema é que até agora o ministério ainda não divulgou a relação dos remédios que não precisarão passar pela bioequivalência e biodisponibilidade para serem chamados oficialmente de genéricos", diz Melo. Em relação à cartela de comprovação de vendas que os farmacêuticos preenchem para ganhar prêmios, Melo diz que "os laboratórios da Abifarma fazem a mesma coisa". (Gabriela Scheinberg e Gabriela Athias)

mockup