A Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma), considera que a Agência de Vigilância Sanitária Nacional (Anvisa) está suficientemente equipada para garantir segurança aos consumidores de medicamentos. Mas não concorda com uma ‘‘seleção’’ de remédios supostamente mais eficazes em detrimento de outros. ‘‘O médico receita o medicamento que considera mais apropriado ao seu paciente’’, diz o presidente da Abifarma, Ciro Mortella. ‘‘Se um medicamento é superado por outro, o próprio mercado fará a seleção’’.
Elisaldo Carlini, professor de psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo e que já dirigiu a Vigilância Sanitária, diz que há um número excessivo de medicamentos similares. São mais de 70 remédios à base de ácido acetilsalicílico ou dipirona, por exemplo. Com tanta concorrência, ele diz que os laboratórios reduzem a qualidade para poder diminuir custos. ‘‘A Vigilância deve exercer um controle rigoroso sobre os laboratórios, de forma que sobrevivam aqueles que oferecem qualidade’’.
Para a Anvisa, ‘‘não há remédios inócuos, nem totalmente seguros’’. ‘‘A forma menos insegura de se tomar um medicamento é ter acesso a uma consulta médica de qualidade’’, diz o gerente de medicamentos da agência, Maurício Vianna. ‘‘Só o médico sabe avaliar o custo-benefício de uma droga’’. A recomendação seria dispensável se o brasileiro tivesse acesso a uma consulta médica de qualidade e se houvesse controle nas farmácias.
Os remédios com tarja vermelha, que trazem a inscrição ‘‘venda sob prescrição médica’’, só poderiam ser vendidos com a apresentação da receita. São vendidos livremente. ‘‘Nosso grande desafio é fazer valer o controle do receituário na farmácia’’, diz Vianna. Sem médico, a reação adversa nem é identificada.
O controle sobre as farmácias cabe às vigilâncias dos Estados e dos municípios. Mas depende antes de tudo da educação das pessoas e da qualidade dos serviços médicos oferecidos.

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