Abi-Abib vai assessorar Jungmann
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Dimitri do Valle 
O superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Petrus Emile Abi-Abib, será o novo chefe da assessoria especial do ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann. Petrus esteve ontem em Brasília para conversar com Jungmann sobre a nomeação. Ele permaneceu na chefia da superintendência paranaense do Incra durante um ano e dois meses.
Em entrevista à Folha pelo telefone, Petrus fez um balanço de sua gestão e não poupou críticas à União Democrática Ruralista (UDR) e elogiou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A UDR defendia o seu afastamento do Incra. O superintendente foi acusado de ser simpático às causas do MST no Paraná.
A UDR nunca representou a massa dos ruralistas do Paraná, nem do País. Apenas tem uma retórica muito forte, disse Petrus Abib, referindo-se à atuação de um pequeno segmento (de ruralistas) localizado na região Noroeste do Estado. Segundo ele, o Paraná tem uma dívida muito grande com os sem-terra. O ex-superintendente acredita que o governo do Estado tem todas as condições para realizar, a partir de agora, uma distribuição imparcial das terras e amenizar os conflitos no campo. No passado os trabalhadores nunca tiveram a chance de chegar à terra, que só era distribuída para grupos privilegiados, afirmou.
Petrus Abib preferiu atribuir sua nomeação ao trabalho desenvolvido em 32 anos de carreira no Incra. Ele não quis fazer ligações entre o convite feito por Raul Jungmann e as insatisfações manifestadas pela UDR, que sempre defendeu o seu afastamento. Se houvesse falha, eu não seria nomeado para outro cargo, lembrou. Para ele, os ruralistas nunca estiveram dispostos a dialogar, ao contrário do MST, que passa a ser um cliente do Incra quando o processo de reforma agrária prossegue após os assentamentos dos agricultores.
Durante a gestão de Petrus Abib, foram realizadas 93 desapropriações de imóveis e assentadas 4.086 famílias. O ex-superintendente disse que o processo de assentamentos foi acelerado durante o período em que a superintendência do Incra ficou sob responsabilidade de Maria de Oliveira, que o antecedeu no cargo. Ela conseguiu romper algumas barreiras, como acelerar o processo de desapropriações. Apenas demos continuidade ao trabalho, observou.


