O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra em Mato Grosso do Sul (MST-MS) sofre a primeira dissidência no Estado. Hoje, 197 famílias acampadas na Fazenda Primavera, localizada no município de Jaraguari, a 25 km de Campo Grande, vão entregar, na sede da entidade, as bandeiras, bonés e camisetas do movimento, conforme garantiu o líder dos acampados, Antonio Gutemberg de Andrade.
Ele explicou que a decisão é um protesto contra o MST-MS, que radicalizou os movimentos em prol do assentamento de sem-terra no MS, com a invasão da Fazenda Santo Antonio, em Itaquiraí, no Extremo Sul do MS. ‘‘Não podemos compactuar com um grupo de revoltados radicais, que estão perigosamente armados com escopetas e outras armas, colocando em risco a vida de mulheres e crianças inocentes’’, afirmou Gutemberg.
Lembrou que a dissidência deveria acontecer na última quinta-feira, quando os acampados juntaram as bandeiras do MST e demais peças com a sigla do movimento, para ‘‘queimar tudo em uma fogueira’’, porém conseguiu convencer os manifestantes a entregar o material pacificamente, hoje cedo. Gutemberg afirmou que as 197 famílias fundarão um movimento independente, apoiado pelo Fórum da Reforma Agrária, organização constituída por representantes do Ministério Público, Poder Judiciário, Ordem dos Advogados, Incra, Departamento de Terras e Colonização do Estado, além das secretarias de Segurança Pública, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Também hoje poderá ser decidido o futuro das 2,2 mil famílias que invadiram a Fazenda Santo Antonio, em Itaquiraí, há quase dois meses. Pela manhã haverá um encontro de técnicos do Incra com representantes dos invasores.

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