Abecip defende juro menor para gerar crédito de qualidade
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Denise Ramiro 
São Paulo, 10 (AE) - O presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Anésio Abdalla, disse hoje, durante almoço oferecido ao presidente da Caixa Econômica Federal, Emilio Carazzai, que com juros altos os agentes financeiros não podem gerar créditos de boa qualidade nem aplicar com eficiência máxima os recursos captados. Segundo Abdalla, os agentes financeiros obrigam-se a comprar títulos públicos para remunerar os aplicadores em cadernetas de poupança, enquanto enfrentam o desafio de administrar empréstimos realizados no passado.
Ele disse também que com exceção das linhas de crédito, via CEF, as operações realizadas no mercado livre têm sido extremamente reduzidas. Foram concedidos, segundo ele, menos de 50 mil financiamentos pelas instituições do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo em 98, o que é um "número baixíssimo".
Reverter esse quadro, disse ele, é desafio para toda a sociedade, pois a construção civil, apoiada pelo crédito imobiliário de longo prazo, é propulsora dos negócios e dos empregos, além de não depender de insumos importados. De acordo com o presidente da Abecip, somente quando ficarem transparentes os efeitos da mudança do sistema cambial será possível recuperar as expectativas positivas e retomar a velocidade dos créditos, com juros reais menores e crecimento consistente de demanda.
Enquanto isso não acontece, disse ele, existem temas comuns aos agentes privados e à CEF, que devem ser discutidos agora. O primeiro ponto a ser abordado, segundo ele, deve ser o reflexo da política de juros altos, que pode afetar o sistema com a elevação das prestações de forma que a renda dos mutuários não acompanhe, gerando a inadimplência. "Contra isso estamos renegociando todos os contratos de financiamento e convocando os mutuários a procurarem os seus agentes financeiros", disse Abdalla.
Outra questão que deve ser discutida é a adoção de mecanismos mais consistentes de captação e aplicação. "Evitar depósitos de curto prazo nas cadernetas, estimulando as aplicações de médio e longo prazo é um desafio para o setor".
O terceiro ponto levantado por Abdalla é o que se refere às pendências judiciais. Abdalla disse que é preciso dedicar atenção especial para a questão, seja para preservar os índices originais pactuados, seja tolhendo a verdadeira indústria de liminares da qual o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) é vítima. "A consagração da alienação fiduciária nos contratos imobiliários bem como emprego dos mecanismos de arbitragem são caminhos capazes de acelerar a solução de pendências, beneficiando financiadores e financiados", declarou.
Abdalla disse que é preciso mover as engrenagens do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI). Segundo ele, a geração de recebíveis permitirá que a Companhia Brasileira de Securitização cumpra seu papel de transferir recursos entre agentes superavitários e agentes econômicos que demandam recursos pelo sistema dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). "Para isso, é preciso criar normas adequadas de alocação de poupança, permitindo que os fundos de pensão, as seguradoras, os agentes financeiros do SFH submetidos às regras de exigibilidade, o BNDES e o FGTS, possam subscrever os CRIs, com limites definidos em suas aplicações", explicou ele.
Segundo Abdalla, a inclusão dos CRIs no portfólio das entidades mencionadas, sempre que possível, será crucial para a estabilização dos recursos destinados às operações imobiliárias.


