Abecafé prevê safra 1999/2000 de 26,6 milhões de sacas
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Venilson Ferreira 
São Paulo, 24 (AE) - A Associação Brasileira dos Exportadores de Café (Abecafé) prevê, em sua primeira estimativa para a safra brasileira de café no ano agrícola 1999/2000, que a produção será de 26,6 milhões de sacas. O número é 25% inferior à colheita anterior, estimada pela entidade em 35,35 milhões de sacas.
O levantamento entidade é baseado em pesquisa realizada com 20 empresas associadas, que representam 84% das exportações da Abecafé.
O principal motivo da quebra da safra que começa em julho próximo é o ciclo bianual do pé de café. O esforço requerido para produzir uma grande safra, como a de 98/99, tende a esgotar o cafeeiro, levando a uma produtividade menor na safra seguinte, explica Jorge Esteve Jorge, presidente da Abecafé, ressaltando que a safra passada foi a maior nos últimos dez anos
gerando substancial redução na de 1999/2000.
A Abecafé prevê para o maior estado produtor, Minas Gerais, uma safra de 13,5 milhões de sacas, sendo 7,35 milhões no Sul e Oeste, 3,1 milhões no Cerrado e 3,05 milhões na Zona da Mata (incluindo 100.000 sacas de café conillon).
Na produção de café arábica, Minas Gerais é seguido por São Paulo (3,1 milhões de sacas), Paraná (2,55 milhões), Espírito Santo (1,55 milhão), Bahia (0,9 milhão) e pelos demais estados produtores (0,85 milhão).
A safra de conillon está concentrada no Espírito Santo (2,45 milhões de sacas) e Rondônia (1,4 milhão). Os outros Estados produzirão apenas 400.000 sacas.
Em comparação com a safra passada, quase todas as regiões produtoras sofreram quedas acentuadas. A baixa de produção de café arábica deverá ser de 26,5%, incluindo declínios expressivos em Minas Gerais (-30%), São Paulo (-27%) e Espírito Santo (-26%).
Entre os principais estados produtores, apenas o Paraná (-10%) apresentou um quadro menos negativo em virtude da entrada em produção de novos plantios e da continuada recuperação das áreas mais afetadas pelas geadas de 1994.
A queda de produção de café conillon (robusta) foi menor (-14%). A redução da safra de conillon do Espírito Santo (-22%) foi compensada, em parte, por um aumento de produção em Rondônia (+12%), segundo a Abecafé.
Oferta - Na opinião de Jorge, a disponibilidade total do produto para o ano safra 1999/2000 será insuficiente para atender à demanda. "A disponibilidade será formada pela safra prevista de 26,6 milhões de sacas, e do estoque de abertura no início de julho próximo, estimado em 11 milhões de sacas dos quais 2 milhões em mãos da iniciativa privada.
O volume total, em mãos privadas é, portanto, 28,6 milhões de sacas (26,6 mais os 2 milhões de sacas), insuficientes para atender à demanda pelo café brasileiro, calculado em 30 a 32 milhões de sacas entre exportação (verde e solúvel) e consumo interno."
Segundo o presidente da Abecafé, para evitar uma queda indesejável das exportações e da receita cambial do país, será necessário complementar o abastecimento do mercado por meio de um aumento no volume de venda do café dos estoques governamentais, através dos leilões.
O resultado positivo alcançado no leilão de fevereiro, quando houve significativo aumento no número de sacas ofertadas, comprova a necessidade de um uso eficiente dos estoques reguladores, diz ele. "Os leilões terão que ser expandidos ainda mais para compensar a diferença projetada de 2 a 4 milhões de sacas entre oferta e demanda."
Jorge lembra que desempenho do café brasileiro em 1998 foi o melhor dos últimos anos, com o aumento da participação nas exportações mundiais de 21% em 1997 para 23%, mas em um contexto de safra insuficiente, será difícil repetir em 1999/2000 este bom resultado.
Por isso, ele acha que "os efeitos negativos do ciclo bianual de produção poderão ser amenizados com uma política eficiente de vendas do estoque governamental orientada para a regularização do abastecimento. Só assim, o Brasil mostraria à indústria internacional que é um fornecedor de confiança e que o café brasileiro tem lugar cativo e crescente na composição do produto colocado na prateleira do supermercado".


