O ex-médico Roger Abdelmassih, condenado em primeira instância a 278 anos de prisão pelo estupro de 37 pacientes e foragido desde janeiro, pode ser processado civilmente por fraude, caso se confirmem as suspeitas de que crianças concebidas em sua clínica não possuem material genético apenas de seus pais.

A denúncia foi publicada na edição mais recente da revista Época. Segundo o texto, que se baseia em depoimentos ao Ministério Público do Estado de São Paulo, pelo menos três casais descobriram que o DNA de um dos pais não é compatível com o dos filhos gerados na clínica.

A reportagem afirma que, em alguns casos, o ex-médico oferecia ao casal a implantação de embriões produzidos com o material genético de outras pessoas e chegava a cobrar US$ 10 mil a mais por isso. Para conseguir a matéria-prima, segundo o texto, Abdelmassih fazia suas pacientes produzirem mais óvulos que o necessário. O excedente seria usado em pesquisas ou em fertilização de outros casais sem que a "doadora" soubesse.

Segundo o engenheiro Paulo Henrique Ferraz Bastos, ex-sócio do casal de geneticistas russos Alexandre e Irina Kerkis - responsáveis pelas pesquisas com células-tronco feitas na clínica -, os casos denunciados ao MP não seriam eventos isolados. Ele afirmou ser comum no estabelecimento a manipulação genética de embriões, prática proibida.

O advogado de Abdelmassih, José Luis Oliveira Lima, afirmou que todos os tratamentos feitos na clínica tinham o consentimento dos casais e eram feitos dentro do que a legislação e a ética permitem.

Lima afirmou que os denunciantes estão em litígio contra a clínica e sugeriu que sua motivação seria o desejo de receber indenização. Negou haver ligação de Bastos com a clínica.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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