O médico Roger Abdelmassih deixou Foz do Iguaçu e desembarcou no aeroporto de Congonhas, São Paulo, no meio da tarde de quarta-feira (20). Ele foi recebido com gritos de "bandido", "maníaco", entre outros adjetivos, por várias pessoas no saguão.



Entre elas estavam cinco pacientes vítimas de estupro, que fundaram uma associação em busca de justiça. Condenado a 278 anos de prisão por estuprar pelo menos 37 mulheres, Abdelmassih estava foragido em Assunção, Paraguai, onde foi detido na tarde de terça-feira (19).

"Depois de todo este tempo de angústia, podemos comemorar agora a prisão deste monstro, maníaco. Esperamos que desta vez ele fique realmente preso. É o minimo que esperamos da justiça", afirmou Helena Leardini, uma das vítimas.

O médico passou duas vezes pelo saguão ao lado da delegacia da Polícia Civil. Na primeira, chegou a esboçar um sorriso, para a ira das pessoas que o hostilizavam. "Espero que ele cumpra a promessa que fez de se matar quando fosse preso", disse Silvia Franco, de 43 anos, que foi sedada e estuprada pelo médico.

Vanuzia Leite Lopes, presidente da associação 'Vítimas Unidas', chegou a fazer faculdade de Direito para estudar as formas legais de punir o autor dos abusos. Um dossiê foi elaborado pelas vítimas, que também pretendem montar um banco genético para que pais submetidos ao processo de fertilização na clínica de Abdelmassih possam fazer exames de DNA nos filhos por prevenção e tratamento de doenças.

Vanuzia acusa o médico de ter feito diversas experiências ilegais, misturando óvulos de mulheres inférteis com os de mulheres férteis, de fazer o descarte de embriões e até de misturar células-tronco de cavalo para "turbinar" embriões. Elas preparam uma denúncia à ONU contra ele por crimes contra a humanidade.

Ela afirma que a exposição do caso pode contribuir com o surgimento de novas vítimas. "Só ontem foram sete mulheres a nos contatar. Estamos aqui para oferecer apoio. Os casos não podem ficar impunes".
"Venci o constrangimento e resolvi mostrar a cara para colocá-lo na cadeia. Vamos além para garantir o direito das mulheres abusadas e ética na Medicina", completou Silvia Franco.

Abdelmassih foi levado à Penitenciária de Tremembés, a cerca de 150 quilômetros de São Paulo, onde cumprirá pena.

(com informações e imagens do repórter Celso Felizardo, da Folha de Londrina)

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