Comandatuba, BA, 07 (AE) - A Asea Brown Brown Boveri (ABB) pretende quadruplicar suas exportações até o final do próximo ano. A companhia espera passar dos US$ 50 milhões que exportou no ano passado para US$ 200 milhões. Segundo disse hoje o vice-presidente da ABB, José Augusto Marques, a expectativa deve-se a um aumento da competitividade da companhia no mercado internacional a partir de março deste ano. As exportações da ABB
que já chegaram a representar 40% do faturamento da companhia, começaram a perder espaço a partir de 1995 e chegaram a 5% das receitas de US$ 1 bilhão obtidas em 1998. Marques participou do V Seminário Latino-Americano de Transmissão e Distribuição promovido pela ABB.
A ABB produz equipamentos para as áreas de geração, transmissão e distribuição de energia. A companhia também fabrica robôs, equipamentos voltados à exploração de petróleo e gás e sistemas de automação. Do total do seu faturamento, 60% a 65% estão voltados à infra-estrutura e cerca de 35% à indústria de base. Segundo Marques, a retração econômica aprofundada no período pós-crise russa pouco impactou o segmento de infra-estrutura, mas teve reflexos sobre a demanda da indústria de base, uma vez que esse segmento atende basicamente às indústrias de bens de consumo como siderurgia, papel e celulose e mineração.
Marques afirmou que as atividades da companhia voltadas à indústria de base começaram a apresentar sinais de recuperação em março passado. Ele não revela números, mas afirma que sua expectativa é encerrar o ano de 1999 com um resultado líquido superior ao de 98. O otimismo deve-se principalmente à demanda do setor de infra-estrutura. Segundo o executivo, a ABB espera um impacto positivo dos contratos de parceria assinados pela Petrobrás com a iniciativa privada para exploração de petróleo. "Esperamos um reflexo positivo dessas parcerias já este ano", afirmou.
Marques alerta que o sistema brasileiro de energia elétrica está trabalhando hoje no limite da sua capacidade. Ele destaca que até 1996 o Brasil tinha reservas correspondentes a 10% de toda a energia gerada em potência máxima, já descontadas as perdas. Segundo o executivo, o mínimo exigido internacionalmente são reservas de 5%. Ele não espera um reequilíbrio das margens de segurança do setor elétrico antes de 2005. "Até lá deveremos ter a oferta correndo atrás da demanda", afirmou.
Com o aumento do poder de compra da população e a expansão das linhas de crédito, o consumo de energia elétrica passou a crescer em torno de 5% ao ano, sem que o sistema estivesse preparado para a sobrecarga. "A sociedade evoluiu e o modelo estatal não havia se programado para isso", afirmou. Marques espera um crescimento de 3,5% a 4% no consumo de energia elétrica este ano, considerando um PIB negativo de 1,5%.

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