Abate de boi cai 15%; oferta represada pode derrubar preços
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Por Eduardo Magossi 
São Paulo, 12 (AE) - Os abates de boi registrados no mês de janeiro foram 15% menores que os registrados em igual período de 1998, informou hoje Victor Nehme, diretor da FNP Consultoria. Segundo ele, esta queda no número de abates deve ser verificada também em fevereiro, devendo chegar a 10%.
Segundo ele, estes números revelam a estratégia dos pecuaristas para se proteger da crise cambial, o represamento do rebanho, que para Nehme, não é nada segura. "Os pecuaristas estão adiando a queda nos preços que virá com força total quando eles decidirem colocar no mercado um volume expressivo de gado que estava represado", disse.
Ele acredita que, durante os meses de março, abril e maio, os preços da arroba do boi deverão registrar quedas expressivas. Nehme informa que a retração nos preços será agravada pelo fato de que está sendo previsto, para este ano, um aumento na produção de carne bovina de 200 mil toneladas, de 6,5 milhões para 6,7 milhões de toneladas.
"Nos últimos dois anos houve uma queda no volume de matrizes, o que deverá ser revertido este ano com um aumento nos abates de matrizes", disse Nehme. Segundo ele, o ínicio deste ciclo de baixa foi atípico devido à desvalorização do real, mas logo isto se reverterá com uma força maior que a esperada.
O analista informou também que a decisão dos pecuaristas de represarem suas ofertas vai prejudicá-los também no final da cadeia do boi, no varejo. "Com a alta nos preços do boi, o varejo também elevou sua margem de lucro para compensar o menor volume de produto à venda. O que acontece é que, agora, mesmo com os preços caindo, dificilmente o varejo irá reduzir suas margens e a previsão é de que o consumo de carne venha a cair no médio prazo", disse.


