Abastecimento de carne pode ficar comprometido
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terça-feira, 27 de julho de 1999
Por Eduardo Magossi 
São Paulo, 28 (AE) - Os mercados físicos de boi e o atacado de carne bovina estão praticamente parados hoje em todo o país. Com a continuidade da greve dos caminhoneiros, os veículos que fazem o transporte dos bois não estão conseguindo chegar aos frigoríficos e os frigoríficos não estão conseguindo embarcar a carne para os centros de distribuição perdendo, inclusive, alguns compromissos de exportação. Com seus frigoríficos totalmente cheios, estas empresas informaram, hoje, que deixarão de abater a partir de amanhã.
Segundo Alexandre Petroni, do Frigorífico Minerva, na região de Barretos, o frigorífico irá deixar de abater amanhã porque os armazéns refrigerados já estão abarrotados com carne que não conseguiu ser embarcada. Petroni explica que cerca de dez contêineres estão no pátio da empresa, no interior de São Paulo, esperando para ser carregados. "O óleo combustível das caldeiras do frigorífico também está terminando, o que torna a situação mais complicada", disse. No Frigorífico Mondelli, na região de Bauru também não haverá abates amanhã. Segundo Rosa Mondelli, diretora de exportação da empresa, um caminhão com 4 toneladas de carne voltou hoje para o frigorífico depois de não conseguir seguir viagem. Ela disse que outros dois contêineres estão esperando ser carregados e outros dois não conseguiram chegar ao frigorífico. O Frigorífico Bertim, na região de Lins, informa que alguns caminhões com bois não conseguiram chegar à empresa e é possível que os abates sejam suspensos amanhã.
O entreposto de distribuição de carne do Frigorífico Bertin, na cidade de São Paulo, não recebe o produto desde segunda-feira. Segundo Marcos Oliveira, gerente do entreposto, os estoques de carne deverão terminar amanhã e, se a greve não terminar, a região da grande São Paulo pode sofrer um período de desabastecimento a partir deste final de semana. Segundo ele, alguns tipos de corte já não estão mais disponíveis. Em dias normais, o entreposto do Bertin distribui cerca de 100 toneladas de carne na região da Grande São Paulo. Segundo José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, o temor de desabastecimento fez com que uma carreta de dianteiros que conseguiu furar o bloqueio e chegar a São Paulo fosse vendida a R$ 2,20 o quilo. Ferraz explica que, se a greve continuar, os preços da carne devem subir momentaneamente mas, a partir do momento em que a distribuição se normalizar, ela irá cair novamente.
Alcides Torres, da Scot Consultoria, disse que registrou negócios de pequeno volume a R$ 2,70/R$1,70 no atacado. Segundo Sérgio Galiano, da Lucra Corretora, após a greve, o preço da carne deve cair porque o produto que chegar até o varejo será carne velha, de qualidade inferior. "Se a greve durar mais, muita carne terá que ser utilizada para a produção de charque", disse Ferraz, da FNP consultoria. O mercado físico de boi está parado, sem negócios, com preço nominal de R$ 33 por arroba.


