O Su­pe­rior Tri­bu­nal de Jus­ti­ça (STJ) re­co­nhe­ceu re­cen­te­men­te o di­rei­to de fi­lhos se­rem in­de­ni­za­dos por ­pais que os aban­do­nam du­ran­te a in­fân­cia e a ju­ven­tu­de. Os mi­nis­tros da 3ªtur­ma do STJ fi­xa­ram em R$ 200 mil a in­de­ni­za­ção que um pai de­ve pa­gar à fi­lha por da­nos mo­rais de­cor­ren­tes do aban­do­no. Tra­ta-se de uma de­ci­são his­tó­ri­ca e iné­di­ta, e po­de nor­tear ou­tras de­ci­sões ju­di­ciais se­me­lhan­tes.
  Pa­ra con­quis­tar is­so a re­que­ren­te so­li­ci­tou exa­me de re­co­nhe­ci­men­to de pa­ter­ni­da­de e, ­após re­sul­ta­do po­si­ti­vo, ela ques­tio­nou ju­di­cial­men­te a ati­tu­de do pai, que es­ta­ria pro­por­cio­nan­do aos ou­tros fi­lhos um tra­ta­men­to me­lhor que o que ela re­ce­bia.
  Não é a pri­mei­ra vez que o STJ jul­ga um ca­so as­sim. Em 2005 hou­ve um pro­ces­so se­me­lhan­te, mas o en­ten­di­men­to foi di­fe­ren­te do apli­ca­do ago­ra. ‘‘Na­que­le ca­so a 4ªtur­ma do STJ re­for­mou a de­ci­são por­que en­ten­deu que não ha­via ilí­ci­to por par­te do ge­ni­tor em não cui­dar de seu fi­lho, o que de­mons­tra que hou­ve uma mu­dan­ça de po­si­cio­na­men­to do STJ e que ago­ra es­tá le­van­do em con­ta a cria­ção de con­di­ções pa­ra que ha­ja um de­sen­vol­vi­men­to ­afetivo’’, des­ta­ca o ad­vo­ga­do es­pe­cia­li­za­do em Di­rei­to de Fa­mí­lia, An­der­son da ­Cruz, de Lon­dri­na.
  Pa­ra ­quem é ne­gli­gen­cia­do ou so­freu vio­lên­cia psi­co­ló­gi­ca, os da­nos po­dem ser equi­va­len­tes ou até su­pe­rio­res aos de ­quem so­fre vio­lên­cia fí­si­ca ou se­xual. A afir­ma­ção é da psi­có­lo­ga Da­nie­le Fio­ra­van­te Tris­tão, coor­de­na­do­ra do Cen­tro de Re­fe­rên­cia Es­pe­cia­li­za­do em As­sis­tên­cia So­cial (­Creas) 3, de Lon­dri­na, que aten­de crian­ças em si­tua­ção de ris­co. ‘‘As­sim co­mo há a ne­ces­si­da­de de in­ges­tão de ali­men­tos sau­dá­veis pa­ra que a crian­ça se de­sen­vol­va, do pon­to de vis­ta afe­ti­vo ela tam­bém pre­ci­sa de con­di­ções pa­ra que pos­sa se ­desenvolver’’, re­la­ta.
  A psi­có­lo­ga ex­pli­ca que, em­bo­ra o afe­to não pos­sa ser im­pos­to em uma re­la­ção em que não ha­ja es­sa pro­xi­mi­da­de en­tre pai e fi­lho, es­sa de­ci­são ju­di­cial po­de fa­zer com que os ­pais se­jam ­mais res­pon­sá­veis em re­la­ção à saú­de, à edu­ca­ção, ao bem-es­tar dos fi­lhos.

● Entre os deveres inerentes ao poder familiar estão o convívio, o cuidado, a criação, a educação, a transmissão de atenção e o acompanhamento do desenvolvimento sociopsicológico dos filhos

● No caso analisado pelo STJ, o pai negou o abandono, mas, de acordo com o tribunal, ele teria agido com ‘‘desmazelo’’ em relação à filha, reconhecida apenas após processo judicial


O Programa Folha Cidadania tem como objetivo criar o hábito de leitura entre os jovens.

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