Londrina - O abandono do Bosque Municipal Marechal Cândido Rondon está facilitando a ação de traficantes de drogas no centro de Londrina. Durante a tarde de ontem, eles agiam na parte mais próxima da Catedral, próximo ao módulo da Guarda Municipal. Para confirmar que o tráfico acontecia, a reportagem comprou cinco gramas de maconha, que foram entregues ao Departamento de Narcóticos (Dernarc) da Polícia Civil.
A venda foi efetuada por uma dupla de rapazes com idade aproximada entre 20 e 27 anos, que ofereceu a droga à reportagem.
Segundo o capitão Nelson Villa Junior, a Polícia Militar intensificará o policiamento na região, inclusive com parte do efetivo a pé. Ele destacou que a PM vem realizando ações de policiamento ostensivo reiteradamente e realiza prisões relacionadas às drogas diariamente. No entanto, aponta Villa, muitas vezes a quantidade de droga apreendida é pequena e não se configura crime.
''Nós atuamos em várias frentes. Além da prisão de traficantes nós frequentemente realizamos a prisão de pessoas que cometem crimes contra o patrimônio'', argumentou.
O secretário de Defesa Social, Raul Vidal, informou, por meio da assessoria de imprensa, que tomou conhecimento sobre o problema, mas que não iria se manifestar antes de conversar com os guardas municipais que atuam na área. O Denarc afirmou que realizará investigações sobre o caso.
O tráfico não é o único problema encontrado pela reportagem no Bosque Central. O quadro atual do local é desolador. Há muita sujeira e aparelhos públicos depredados ou sem manutenção. Lixeiras e bancos estão quebrados e o alambrado da quadra poliesportiva, destruído por um temporal ocorrido há mais de um ano, ainda não foi consertado.
Em meio à vegetação é comum encontrar embalagens de camisinhas espalhadas junto a pedaços de papelão, indicando que o local é utilizado para a prática de sexo. A informação de que o espaço se transformou em uma espécie de motel a céu aberto é confirmada pela diarista Regiane Almeida. Ela revela que já testemunhou várias pessoas fazendo sexo no meio da mata e também presenciou o consumo de drogas no local. ''Eles sempre ficam em rodinhas, mesmo durante a tarde'', relatou.
Também há vários pontos em que existem fezes humanas. O auxiliar de produção Antônio Alves Barbosa cobrou da prefeitura a construção banheiros e bebedouros no local. Já a estudante Camila Mira criticou a sujeira. ''Quando se fala em melhoria do bosque, uma coisa que não sai de minha cabeça é a falta de higiene do local. Tem muita sujeira'', criticou.
Segundo o secretário municipal de Obras, Ossamu Kaminagakura, não há previsão de obras no local pelo menos até o ano que vem. Ele acrescentou que sua pasta teria ficado responsável apenas pela recomposição de pisos e pela iluminação e que a manutenção teria sido repassada à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). O diretor de operações da CMTU, Décio Zulian, por sua vez, afirmou que a CMTU, por ter um funcionário de serralheria, pode ser acionada para algumas manutenções por meio de parceria, mas para isso cada secretaria precisa fazer a solicitação.
''A manutenção dos alambrados da quadra, por exemplo, deve ser pedida pela Fundação de Esportes de Londrina (FEL), mas até agora ninguém nos acionou'', explicou. A reportagem tentou entrar em contato com a Fundação de Esportes, mas não conseguiu.

Imagem ilustrativa da imagem Abandonado, Bosque vira ponto de tráfico
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