Rio, 08 (AE) - A Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec) enviou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) carta de advertência contra os critérios do edital de privatização da Comgás. O presidente da Abamec, Eron Mattos, argumenta que os acionistas minoritários, donos de 22% do capital total da companhia, serão prejudicados pelo modelo de venda, que cindiu a Comgás em três empresas.
A CVM está analisando os três pontos contidos na carta, já descartou o atendimento de dois deles e a informação ainda extraoficial é de que o pedido deverá ser indeferido. A direção da Abamec garante que entrará com representação judicial para mudar o edital, o que poderá atrasar a venda da Comgás, marcada para 14 de abril.
A principal reivindicação é a inclusão de uma cláusula, no contrato de alienação, assegurando a manutenção da empresa como sociedade de capital aberto pelo prazo de 15 anos. Segundo informação da CVM, não há obrigação legal de a empresa continuar aberta depois de leioada.
Outro ponto, descartado pela CVM, refere-se ao risco de a empresa virar monopolista no mercado de São Paulo, após a privatização. A CVM argumenta que este não é um problema da entidade, que só analisa questões societárias e não de concorrência de mercado, assunto que cabe ao Conselho Administrativo de Defesa da Econcomia (Cade).
Perda - A perda patrimonial, estimada pela Abamec em R$ 200 milhões depois da divisão da companhia, foi confirmada pela CVM. A Comgás, avaliada, pelo fluxo de caixa descontado, em R$ 1 6 bilhão, passa a ter preço mínimo de R$ 1,4 bilhão. "Precisamos saber que itens farão parte dos bens das novas empresas criadas, porque isto pode significar também mais perda de massa patrimonial para os acionistas", diz Eron Mattos.
Ele assegura que a entidade não é contra a privatização, apenas quer proteção para os minoritários. "Se a CVM não aceitar nossas ponderações, que são contábeis e econômicas, vamos fazer um lastreamento jurídico e entrar com uma representação contra a privatização."

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