Abaixo-assinado apela por Rainha
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segunda-feira, 18 de agosto de 1997
Agência Folha Rio de Janeiro 
Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) recolheram ontem mais de 2.000 assinaturas pela absolvição do líder José Rainha Júnior, acusado de co-autoria em dois homicídios. O abaixo-assinado será encaminhado ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo, que julgará o pedido de transferência do julgamento de Rainha de Pedro Canário (a 270 km de Vitória) para a capital capixaba.
A líder sem-terra Diolinda Alves de Souza recebe hoje na sede da Anistia Internacional uma cópia do documento elaborado pela organização sobre o caso de Rainha. Após a primeira condenação do líder do MST, o órgão de defesa dos direitos humanos disse que o processo teve clara motivação política. A Anistia já se comprometeu a enviar um observador ao novo julgamento de Rainha. O documento de apoio será entregue a Diolinda pelo secretário-geral da entidade, Pierre Sané.
A manifestação de ontem no Rio reuniu aproximadamente cem pessoas.
A ausência do líder do MST, João Pedro Stédile, provocou o cancelamento da passeata do movimento no centro do Rio. Stedile esteve ontem na Bienal do Livro para autografar seu livro Questão Agrária no Brasil. Ele negou que o MST pretenda invadir terras no Uruguai.
Segundo notícia publicada no jornal El País, o maior do Uruguai, oficiais do Serviço de Inteligência do Exército uruguaio estariam se deslocando para a área de fronteira e já teriam entrado em contato com autoridades brasileiras para receber informações sobre o MST.
Os militares de lá não têm o que fazer e ficam com essas paranóias, afirmou Stedile. Não damos conta nem de ocupar todos os latifúndios daqui, imagina se vamos querer ocupar os uruguaios. Segundo ele, as duas fazendas na fronteira ocupadas pelos sem-terra foram desapropriadas pelo próprio Incra.
Stédile disse ainda que entre as 115 áreas desapropriadas no Rio Grande do Sul, 20 são próximas da fronteira. As duas fazendas desapropriadas pelo Incra ficam no município de Jaguarão, a cerca de 30 quilômetros da fronteira com o Uruguai. No local, 600 integrantes do MST montaram acampamento e aguardam a chegada de outros dois mil sem-terra.
O líder do MST garantiu que não passa pela cabeça de nenhum integrante do movimento ocupar terras uruguaias. As autoridades uruguaias deviam temer os grandes proprietários de terra brasileiros que já compraram milhares de hectares de terra por lá.
Em Porto Alegre, a direção do MST no RS garantiu que os sem-terra brasileiros não pretendem invadir propriedades no Uruguai. Há muita terra improdutiva no Brasil e nunca se pensou em cruzar a fronteira para buscar o que existe aqui, argumentou um dos coordenadores do MST na região, Deonilso Marcon.
O superintendente regional do Incra, Jânio Guedes da Silveira, mostrou-se cético quanto à eventuais investidas do MST/RS no Uruguai. Nunca aconteceu nada do gênero e nunca ouvi falar desta possibilidade, notou. Para ele, tudo não passa de uma casualidade. Apenas uma fazenda foi invadida perto da fronteira uruguaia, mas o território continua sendo brasileiro, reparou.


