Análises realizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para monitorar a existência de resíduos de agrotóxicos em alimentos encontraram problemas em 29% das amostras coletadas. Foram analisadas 15 culturas de frutas e legumes. No Paraná, o abacaxi, ao lado do pimentão, foi o alimento que apresentou o maior índice de irregularidade para resíduos de agrotóxicos em 2009, segundo relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) divulgado ontem. No último relatório, o pimentão também ficou em primeiro lugar, seguido do morango, uva e cenoura.
No abacaxi e no pimentão, das sete amostras coletadas de cada alimento, em seis (85,7%) foram encontrados resíduos não autorizados ou em quantidade acima do permitido entre os autorizados. ''No abacaxi, todos os resíduos não são autorizados para esse tipo de cultura'', afirma a engenheira agrônoma Eliana da Silva Scucato, do departamento de vigilância sanitária da Secretaria de Estado da Saúde (SESA). Na fruta foram encontrados resíduos de ditiocarbamato, diclorvos, lambdacialotrina, cipermetrina e procimidona.
No total foram coletados 140 amostras de 20 alimentos diferentes - abacaxi, alface, arroz, banana, batata, beterraba, cebola, cenoura, couve, feijão, laranja, maçã, mamão, manga, morango, pepino, pimentão, repolho, tomate e uva. Esse foi o primeiro ano que foram avaliados couve, pepino e beterraba. Apenas manga, maçã, feijão e batata não apresentaram irregularidades no ano passado no Estado. Do total, 50 amostras (35,7%) foram insatisfatórias.
Para a nutricionista Marilsa Santini, professora da Universidade Norte do Paraná (Unopar) e conselheira do Conselho Federal de Nutricionistas, os dados revelam ''resultados preocupantes''. ''O perigo de se consumir alimentos com resíduos agrotóxicos é que estes podem provocar diversos agravos à saúde, como problemas neurológicos, sobrecarga do fígado, câncer e alergias'', afirma.
Eliana também chama a atenção para as doenças crônicas como câncer, problemas endócrinos e de infertilidade. ''Do ponto de vista da legislação, esses resíduos estão em desacordo ao preconizado. Com relação à questão toxicológica, isso causa uma exposição maior às substâncias químicas, embora haja um limite de ingestão diária aceitável''.
A maioria dos agrotóxicos, explica a engenheira agrônoma, é do tipo sistêmico, que penetra e circula no sistema vegetal, ficando presente tanto na casca quanto na polpa. ''Por isso, deixar de molho não vai tirar os resíduos de agrotóxicos, mas é importante para eliminar microrganismos'', avalia.
O relatório é encaminhado, segundo Eliana, para a Secretaria de Agricultura e Emater, responsáveis pela fiscalização do uso de agrotóxicos. ''O Ministério Público também tem solicitado esses laudos'', diz.

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