A voz das crianças na Organização das Nações Unidas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de maio de 2002
Ana María Echeverría <br>France Presse 
Nova York - Pela primeira vez na história das Nações Unidas, duas jovens uma menina boliviana e uma adolescente monegasca tomaram a palavra na Assembléia Geral da ONU, para exigir, em nome das crianças do planeta, um mundo adequado às necessidades da infância.
Inaugurada ontem em Nova York, a sessão especial dedicada à infância vai definir estratégias para reduzir o sofrimento de milhões de crianças do mundo que padecem de fome, doenças, pobreza e violência. Cerca de 180 líderes do mundo, eles 70 chefes de Estado ou de Governo, participam da conferência, que avaliará os avanços obtidos desde a cúpula sobre a infância celebrada em 1990, e o caminho que ainda falta percorrer para melhor a situação das crianças.
Um mundo adequado às nossas necessidades é um mundo adequado às necessidades de todos, disse a boliviana Gabriela Azurdy Arrieta, 13 anos, que falou diante dos líderes mundiais depois que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, abriu a reunião dedicada à infância.
Queremos ser levados em conta, disse Azurdy, com voz forte e segura, diante de representantes dos 180 Estados-membros da ONU que participam da sessão especial. Nós, meninos e meninas, somos as vítimas da exploração e do abuso. Somos meninos e meninas da rua, somos meninos e meninas da guerra, somos órfãos da aids (...) Somos vítimas da discriminação política, econômica, cultural e do meio ambiente, acrescentou a pequena boliviana, assinalando que lhes é negada uma educação de boa qualidade e serviços de saúde.
Azurdy e Audrey Cheynut, 17 anos, originária de Mônaco, resumiram a mensagem que enviam aos líderes mundiais as crianças do planeta, que mandaram representantes ao Fórum da Infância realizado na ONU antes da abertura da reunião. Na mensagem, as crianças convocam governos e adultos a assumir um compromisso verdadeiro com os direitos das crianças e aplicar a Convenção Internacional dos Direitos da Criança, que é o primeiro tratado da ONU a afirmar que os menores de 18 anos têm direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais. Estados Unidos e Somália foram os únicos países-membros da ONU que não assinaram o texto.
Azurdy pediu que exista no mundo segurança para os meninos e meninas, e para suas famílias, exigiu que se ponha fim à exploração, ao abuso e à violência, e pediu a erradicação da aids, que deixou órfãs milhões de crianças no mundo. A boliviana também fez um apelo por leis que protejam os meninos e meninas da exploração e do abuso, e que devem ser respeitadas por todos os países.
Cheynut prometeu que as crianças lutarão por seus direitos até conquistá-los. Não somos nós a fonte dos problemas, somos os recursos necessários para solucioná-los, concluiu.
Azurdy recebeu fortes aplausos quando exigiu que a comunidade internacional consiga um final pacífico dos conflitos, em vez de usar a força. A menina pediu, em nome das milhões de crianças vítimas dos conflitos armados, a eliminação do comércio de armas. Convocou ainda os líderes mundiais a pôr fim a um dos abusos de que menores são vítimas, referindo-se aos meninos soldados.


