Entre elas estão malária, hanseníase leishimaniose cutânea, dengue e tuberculose.

Enquanto a medicina contabiliza grandes avanços tecnológicos, tanto no diagnóstico, quanto no tratamento de doenças, algumas patologias, consideradas controladas ou restritas a determinadas regiões, voltam a se manifestar, chegando a epidemias. Condições sociais e comportamento da população são algumas das causas das doenças reemergentes. Entre as principais, no Brasil, estão dengue, febre amarela, malária, leishimaniose cutânea, tuberculose e hanseníase.
  A dengue é a mais emblemática delas, porque já foi considerada erradicada até 1967, segundo dados do Ministério da Saúde (MS), quando foi reintroduzido o mosquito aedes Aegypti no país. Depois disso, o número de casos ‘‘explodiu’’, até o maior dos surtos, em 2002, segundo o MS, quando foram notificados quase 800 mil casos da doença. Em Londrina, uma epidemia foi registrada em 2003 com 7202 casos. Dados do MS apontam que, neste ano, já foram 480 mil casos de dengue no país, causando 121 mortes. No Paraná, a dengue atingiu 44.916 pessoas até setembro, sendo registrados nove casos de dengue hemorrágica e cinco mortes. Em Londrina, no ano passado foram 80 casos, mas neste ano já são 795 casos até outubro.
  O médico sanitarista e epidemiologista Darli Antônio Soares, coordenador do mestrado em saúde coletiva da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que no Brasil e outros países subdesenvolvidos as doenças infecto-contagiosas estavam sob controle apenas aparentemente. ‘‘A mudança do perfil epidemiológico não aconteceu da mesma maneira que nos países desenvolvidos’’.
  Ele explica que há cerca de dois séculos a principal causa de morte nesses países eram as doenças infecciosas, onde o panorama só começou a mudar quando mudaram também as condições sócio-econômicas. Com a melhoria das condições de vida, as doenças infecto-contagiosas foram gradativamente deixando de ser causa de morte, sendo substituídas por outras, já nas décadas de 40 e 50, como as cardiovasculares e neoplásicas. ‘‘Isto é a chamada transição epidemiológica, e foi observada em todos os países desenvolvidos, como Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra’’, ressalta.
  Já nos países não industrializados, como o Brasil, ocorreu algo semelhante, mas em época e com causas diferentes. No Brasil, no começo do século 20, a principal causa de mortalidade também eram as doenças infecto-contagiosas e parasitárias, condição que começou a mudar por volta da década de 70, quando cresceram os casos de câncer e doenças cardíacas. ‘‘Mas enquanto o que causou a mudança nesses países foi um desenvolvimento sustentável e sem grandes desigualdades, no Brasil e em outros países subdesenvolvidos, não foi isso o que ocorreu’’.
  No Brasil e outros países foram importadas técnicas de controle das doenças infecciosas, como os inseticidas que fizeram ‘‘sumir’’ os casos de febre amarela urbana na década de 40. Mas não foram resolvidos os problemas sociais. Por um tempo, as doenças infecto-contagiosas parasitárias ficaram sob controle, mas hoje o que se vê são essas doenças ‘‘antigas’’ coexistindo com as crônicas, chamadas ‘‘de primeiro mundo’’.
  Grandes concentrações de pessoas morando em locais sem água encanada, onde é preciso armazenar água, e sem serviço de recolhimento de lixo, criaram condições propícias para a proliferação do mosquito transmissor da dengue. Tudo isso agravado por novas condições da modernidade - o lixo das embalagens pet e tampinhas de garrafa. ‘‘Isso não existia há 50 anos atrás’’.

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