Londrina - Todos os meses, na salgada soma de impostos e outras cobranças que chegam à casa dos brasileiros, boa parte refere-se aos gastos para repor peças, consertar ou reconstruir o que foi destruído por meio de atos de vandalismo, depredações e roubos. Uma conta alta, mas difícil de ser mensurada. Reina a ideia de que quanto mais se fala sobre estes crimes, mais as pessoas sentem-se propensas a cometê-los. Por isso muitas empresas e serviços públicos preferem não divulgar os números, ou até amenizar o problema.
Em Curitiba, porém, há pouco mais de um mês a ferida começou a ser exposta. A prefeitura divulgou que entre dezembro de 2012 e fevereiro de 2014 foram gastos R$ 1,1 milhão para reparar danos causados por atos de vandalismo contra o patrimônio público. A depredação atinge, principalmente, estações-tubo, terminais de ônibus e painéis de informação.
Para tentar coibir este tipo de ação, acaba de ser criado um grupo de trabalho com representantes do Executivo municipal, Urbs, Guarda Municipal e das polícias Civil e Militar. O grupo deve trabalhar tanto com a conscientização de crianças e jovens nas escolas, até a responsabilização dos identificados.
Já em Londrina, não há sequer levantamentos dos prejuízos. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) informou, por meio da assessoria de imprensa, que o problema não chega a ser dos mais graves, por isso não há estatísticas. As principais ocorrências seriam com as pichações em pontos de ônibus.
Recentemente, nas proximidades do Lago Igapó 2, frequentadores acionaram a Guarda Municipal (GM) para conter um jovem que pichava tubulações. A ação foi rápida e ele foi encaminhado à 10ª Subdivisão Policial (SDP) para registro de um Termo Circunstanciado. O crime (previsto no artigo 65 da Lei 9.605/98 - Lei dos Crimes Ambientais), ao que tudo indica, é um dos mais frequentes na cidade. Basta um rápido passeio por algumas praças, serviços públicos e parques para confirmar.
"Em praticamente toda a cidade nos deparamos com pichações", constata o inspetor do setor de Comunicação e Monitoramento da GM, Eder José Pimenta. Segundo ele, os casos de vandalismo parecem ser mais frequentes em determinadas épocas. "No final do ano passado estava mais complicado." Ele informou que também na Guarda não há números específicos de casos de vandalismo.
O mesmo foi dito pelo secretário municipal de Obras, Sandro de Nóbrega. Ele garantiu, porém, que há a intenção de começar a quantificar o prejuízo. "Podemos afirmar que existe uma depredação generalizada de luminárias e outros equipamentos de praças, parques e jardins, como bancos, lixeiras, sem falar nos roubos de fiações elétricas e telefônicas, de grelhas de ferro, de tampas de poços de visita."
Nóbrega explicou que os recursos para conserto e recuperação dos alvos de depredação saem da conta de manutenção do município. "Só no ano passado, a Concha Acústica foi pintada 10 vezes", exemplificou. Ele garantiu que sempre que um ato de vandalismo é registrado, há um esforço para que os reparos sejam feitos o mais rápido possível. "Quanto menos manutenção fazemos, mais depredações acontecem."

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