Curitiba- O governador Roberto Requião cobrou ontem uma postura dura do comando da Polícia Militar para coibir o avanço de casos de violência policial no Estado. Para Requião, houve um aumento considerável de casos de mortes durante abordagens policiais, o que pode levar a um ''embrutecimento'' da corporação.
As afirmações de Requião foram feitas durante a reunião semanal do secretariado. O que motivou o governador a cobrar rigor do comando da PM foi mais um caso de morte em ação policial, ocorrida no último fim de semana. O filho de agricultores, David dos Santos, 19 anos, voltava de uma festa em Colombo, na Região Metropolitana da Capital, quando foi atingido na nuca por tiro disparado por um policial militar. ''Nós tivemos um acréscimo muito pouco desejável de mortes nas ações da polícia. É quase que uma tendência em toda a corporação, que acaba se embrutecendo na luta diária contra a criminalidade'', afirmou Requião.
Segundo o governador, os casos de violência policial vêm crescendo acima do limite no Paraná. ''Não quero nem falar nos números estatísticos, porque não quero transformar isso aqui num programa de pânico'', disse. ''Mas tem que haver uma contenção nisso e, cá entre nós, já passou de todos os limites. Estamos num crescimento em relação aos anos anteriores enorme. A criminalidade cresceu também, mas a violência da polícia é insuportável no Paraná'', declarou. A Secretaria de Segurança Pública informa não ter números e o comando da PM diz que está concluindo relatório dos casos de violência policial.
Para o governador, só a apuração dos casos e a punição dos que cometerem abusos pode reverter a situação. ''Só tem uma maneira de conter tudo isso: uma postura dura e punitiva do comando da corporação. Vamos cobrar a partir de agora uma atitude muito dura em relação aos desmandos que possam ocorrer, principalmente da Polícia Militar'', acrescentou.
Apesar da cobrança, Requião ainda fez elogios às polícias do Paraná. ''A nossa polícia é boa, é a melhor polícia do Brasil, tanto a Civil como a Militar. Temos os nossos defeitos e temos que conter essa possibilidade de embrutecimento da nossa polícia. Só uma contenção forte evita que a polícia do Paraná se transforme na polícia da Baixada Fluminense. Isso não pode e não vai acontecer'', disse o governador. ''Nós vamos manter essa qualidade, mas seria uma tolice não percebermos o avanço da violência policial no Paraná'', completou.

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