Um carro de som percorre calmamente a cidade anunciando que o circo chegou. Durante boa parte do dia, Bruno Ayres, de 21 anos, roda pelas ruas de seu novo município, observando a vida urbana. Nascido em uma família de artistas circenses, começou a trabalhar aos 4 anos como palhaço, hoje é malabarista e piloto do globo da morte. Vê seus pais duas ou três vezes ao ano. "Não me imagino tendo outra vida a não ser essa", diz.
Bruno integra a nova geração do Circo Maximus, fundado nos anos 1990, e que se apresenta em Londrina até o próximo domingo. Durante alguns dias, a reportagem da FOLHA vivenciou o dia a dia dos artistas com objetivo de retratar a vida por trás da lona e do picadeiro.
A voz que dá boas-vindas a todos, anunciando a chegada do circo, é do locutor Anderson Luiz Alves, de 39. Filho de uma família de artistas - nascido por ocasião do destino em uma barraca de circo no Distrito de Warta -, ele diz que o circo é sua "vida". Além das gravações para apresentações, Luiz cuida da página do Maximus na internet e anuncia os artistas durante os espetáculos.
Durante a tarde, Luiza Andréa Silveira e Silva, de 32, mais conhecida como Ciba, prepara os pastéis que serão vendidos antes e durante o intervalo dos espetáculos. Integrante da quarta geração de uma família circense, Ciba nasceu no circo do avô e é filha do palhaço mais famoso do Nordeste, o Facilita. Começou no picadeiro aos 5 anos, fazendo número de malabares com seu irmão, e aos 9 já era equilibrista de arame. Hoje, ela faz acrobacias aéreas no tecido e seu irmão trabalha em Buenos Aires, na Argentina, com seu próprio circo.
Ciba conheceu seu marido, Rodrigo, de 32, no circo. Casados há 14 anos, eles têm dois filhos - Rick, de 10, e Andreina, de 13 -, que vivem um misto de rotina comum com a magia da arte circense. De manhã vão para a escola e à tarde estudam, jogam videogame, assistem TV e ajudam os pais.
Andreina já trabalha no espetáculo da magia e ajuda a vender fotos e pastéis com a mãe no intervalo. Já Rick fica ensaiando o número de malabares pelos bastidores do picadeiro, não vendo a hora de participar desse mundo mágico.
Com o nome artístico de Natália Maximus, Natália Ribas Vieira, de 13, faz o número de contorcionismo. Estudante do 8º ano, não se imagina morando fora do circo. "É um pedacinho de mim!" Toda vez que entra em uma escola, todos fazem as mesmas perguntas: "O que faz no circo? Como é morar lá? Não enjoa de viajar? Quais lugares do Brasil já foi?". Mas, ela diz que não se importa e leva uma vida normal como qualquer outra garota da sua idade. "Nas férias de escola, visito meus avós que também são do circo. Em dezembro nos reunimos em família para comemorar as festas", diz.

Fotos
Lembranças da visita no circo. É assim que as fotografias tiradas pela família Robattini são emolduradas para a venda. Conforme o público vai chegando, Lilian Robattini Venegas, de 42, seu marido Michel Venegas, de 44, e o filho do casal Michel Venegas Filho, de 21, vão retratando as pessoas que chegam. Entre uma revelação e outra, a pequena Maria Eduarda, de 6, se maquia e corre atrás de sua avó, que chama de mãe. A pequena mora com Lilian, pois sua mãe trabalha no Cirque du Soleil, em Las Vegas, nos Estados Unidos.
Dentro do pequeno baú improvisado no camarim, eles revelam as fotos e logo depois se aprontam para seus números. São trapezistas profissionais - e excepcionais! Lilian faz as roupas para as apresentações (corta, costura e borda). É possível notar que a união e o respeito entre eles contribuem para a harmonia do espetáculo.
As luzes se apagam para o espetáculo começar. Diversos brinquedos nas mãos das crianças se transformam em pontos de luzes coloridas e se destacam no meio da plateia, lembrando um céu estrelado. Atrás da cortina do picadeiro, vários artistas se preparam para mais uma das diversas apresentações que ainda terão pela frente. Maquiagem, cabelo, alongamento, troca de roupa, último treino.
Todos sentados em seus lugares, o espetáculo vai começar!

Serviço
Circo Maximus. Local: estacionamento do Londrina Norte Shopping. Horários: diariamente, às 20h00; sábado, às 16h00, 18h00 e 20h30; e domingo, às 16h00, 18h00 e 20h30

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