A vida na fila é difícil
Curitiba - A vida de caminhoneiro que descarrega no Porto de Paranaguá não é fácil. Vindos em geral do Mato Grosso, São Paulo e interior do Paraná, além de encarar a tensão do trânsito, são obrigados a enfrentar horas, ou mesmo dias, parados à beira da estrada, enquanto aguardam a vez para descarregar a mercadoria.
Uma rotina de muita espera e desconforto. ''O banheiro é o mato, o banho é a chuva'', disse Moacir Antonio Barreto, 53 anos, na fila para descarregar no Porto de Paranaguá.
Grande parte dos motoristas diz que a fila é sinônimo de prejuízo. ''É uma angústia, um desespero, porque a gente quer trabalhar, tem conta para pagar'', diz Pedro Antunes dos Santos, 49, há 29 anos trabalhando na boleia.
Um dos maiores problemas, segundo o colega Wanderley Fogari, 43, de Astorga (Norte), é a segurança. ''Dentro do pátio tem segurança, mas saiu na rua é complicado. De dia é mais tranquilo, mas de noite não dá para vacilar. Se deixar o caminhão aberto, eles levam tudo, até panela, coisas de cozinha'', lamentou.
O risco aumenta nas proximidades da entrada de Paranaguá, quando ''moleques'' ou ''noias'', como definem os caminhoneiros, vêm abordá-los para pedir dinheiro e até cometerem furtos. ''Na fila você não dorme, porque se dormir o bicho pega'', diz Valdecir Castorino dos Santos, 49, Palotina (Oeste). Há 28 anos na estrada, ele viaja sempre em companhia da mulher, Maria dos Santos. ''Quando um dorme o outro fica alerta'', comentou ela.
Para Rogaciano Pagan Silva, 25, morador de Nova Aurora (Oeste), queixa-se do tédio decorrente de tanto tempo parado à beira da estrada. A saída é bater papo, ouvir música e dar uma geral no caminhão. ''A vida é bastante sofrida, a gente passa horas sem comer, sem tomar banho, tem que se virar'', lamentou Valdeci.(Maigue Gueths/Equipe da Folha)





