Johanneburgo, 28 (AE-REUTERS) - Os rebeldes angolanos da Unita capturaram a capital provincial chave de Mbanza Congo, noroeste do país, aumentando a pressÆo sobre o acuado governo de Luanda.
Analistas dizem que os rebeldes de Jonas Savimbi estÆo tentando isolar as forças do governo angolano na vizinha República Democrática do Congo daquelas dentro de Angola.
Outras unidades da Unita estÆo ameaçando a cidade central de Malanje - uma tática que estrategistas afirmam confirma o antigo desejo da Unita de lançar um assalto à capital Luanda, que fica a meio do caminho da costa ocidental de Angola.
A guerra civil explodiu no país rico em petróleo e diamantes antes de ele tornar-se independente de Portugal em 1975, e tem ressurgido esporadicamente desde entÆo. A última escalada ocorreu em dezembro e efetivamente destroçou um acordo de paz de 1994.
Analistas dizem que a Unita, fundada por Savimbi em 1966, também está avançando em direçÆo à cidade petrolífera de Soyo, 200 km a leste de Mbanza Congo e no caminho da área de diamantes de Cafunfo, numa estratégia visando assumir o controle dos setores econômicos vitais de Angola.
"A Unita, sem dúvida, está colocando pressÆo econômica e militar sobre as forças do governo", afirmou um estrategista militar baseado em Pretória. "Eles estÆo visando o petróleo enquanto ao mesmo tempo trabalhando na estratégia, que se for bem-sucedida permitiria a eles consolidar um corredor dividindo o país".
Mbanza Congo, capturada na quarta-feira, é o portÆo de entrada para Soyo. Um grande aeroporto em Mbanza Congo também permitirá à Unita, UniÆo para a Independência Total de Angola, pousar aviäes de transporte e reforço de tropas na área.
Da cidade, a Unita é capaz de colocar pressÆo sobre a cidade portuária fronteiriça congolesa de Matadi, e cortar as linhas de suprimento para as tropas angolanas apoiando o presidente do Congo, Laurente Kabila.
A guerra de Angola, segundo analistas, já está tendo implicaçäes na luta de sobrevivência de Kabila. Fontes militares dizem que Angola já trouxe de volta três regimentos aerotransportadores e de infantaria do antigo Zaire a fim de conter a Unita.
"Intencionalmente ou por mera coincidência, as estratégias da Unita estÆo remodelando a guerra no Congo", afirmou uma fonte.
Angola, Namíbia e Zimbábue enviaram tropas para apoiar Kabila, mas o poder de fogo angolano é que foi decisivo para evitar que rebeldes apoiados por Uganda e Ruanda capturassem a capital congolesa de Kinshasa em agosto.
É a partir de Soyo, uma cidade costeira 30 km ao sul da fronteira com a República Democrática do Congo, que companhias petrolíferas estrangeiras multinacionais coordenam a prospecçÆo das vastas reservas marítimas de Angola.
Diplomatas ocidentais afirmam que ao capturar Mbanza Congo, uma saída para Soyo, Savimbi fez com que as companhias petrolíferas ficassem nervosas. Executivos da indústria e analistas dizem que um ataque da Unita a Soyo nÆo iria comprometer a produçÆo angolana, mas teria um impacto simbólico.
"Ele quer atingir o centro nervoso do governo. Savimbi quer semear o pânico na indústria petrolífera. Ele quer minar a arrecadaçÆo do governo", afirmou um diplomata.
Angola produz cerca de 760.000 barris por dia (bpd), gerando quase 90% da arrecadaçÆo em moeda forte do país sul-africano - mais de US$ 4 bilhäes ao ano. SÆo esses dólares que lubrificam a máquina de guerra de Luanda.
As plataformas petrolíferas submarinas de Soyo - operadas pela Total Fina da França e Bélgica - produzem cerca de 20.000 bpd. A Fina tem um poço em terra a cerca de 10 km de Soyo, mas todas as outras fontes estÆo a pelo menos cinco quilômetros da costa.
A três quilômetros de Soyo está a base de Kwanda, onde funcionários da Total, Texaco, BP-Amoco, Exxon e Fina ficam quando nÆo estÆo trabalhando.
A atual escalada do conflito teve início quando o governo lançou uma grande ofensiva contra bastiäes da Unita em Andulo e Bailundo, no planalto 500 km a sudeste de Luanda.
Os rebeldes fizeram as forças governamentais recuarem 100 km em dias e assumiram o controle da situaçÆo, marchando para o norte e oeste e sitiando as cidades de Huambo, Kuito e Malanje.
Na última quinta-feira, a Unita capturou uma ponte-chave sobre o maior rio de Angola, dando a ela acesso direto a Malanje e abrindo o caminho para o norte. Ao alargar o corredor que controla a noroeste da ponte de Porto Salazar para Mbanza Congo, a Unita controla agora quase 60% do território angolano.

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