São Paulo, 17 (AE) - A novela da venda do Banespa já dura quase cinco anos. Desde 1994, governo e técnicos estão estimando datas para editais de venda e para os leilões, mas tais cronogramas sempre foram atropelados por novos fatos. A última previsão do governador Mário Covas foi de que a venda do Banespa ocorreria no primeiro semestre do ano passado. Mas em março de 1998, o presidente do banco, João Alberto Magro, se incumbia de divulgar uma previsão mais folgada: a privatização sairia em setembro do mesmo ano. Exatos 12 meses depois, já se fala num novo adiamento da venda, para abril de 2000, por conta da cobrança da Receita Federal de impostos e multas devidos pelo banco, no valor de R$ 2,8 bilhões.
Abaixo, a conturbada história do Banespa nesta década.
Dezembro/94 - O Banco Central intervém no Banespa. As dívidas do governo de São Paulo com o banco, herdadas dos governos Orestes Quércia (87-91) e Luiz Antônio Fleury Filho (91-94), somavam US$ 10 bilhões. A privatização do banco entra na agenda política, mas o governador Mário Covas rejeita a solução.
Julho/95 - O BC abre linha de crédito de US$ 6 bilhões para liquidar metade do débito, desde que o governador Mário Covas concorde com a privatização do Banespa. Covas não aceita e insiste em manter o controle acionário nas mãos do Estado.
Dezembro/95 - BC prorroga a intervenção no Banespa por mais um ano, até 30 de dezembro de 1996.
Janeiro/96 - Covas fecha acordo com o BC sobre a dívida do Estado para com o Banespa, que crescia então R$ 20 milhões por dia. O Senado demora a apreciar o acordo e Covas acaba desistindo.
Junho/96 - O Banespa passa a necessitar de R$ 3 milhões por dia para fechar seu caixa. O banco havia perdido então um milhão de correntistas, de um total de três milhões que possuia no início da intervenção.
Dezembro/97 - Banespa é "vendido" ao governo federal. O Tesouro paga R$ 343 milhões, na época, por 51% do controle acionário. Além disso, refinancia a dívida do Estado de São Paulo, de R$ 59,6 bilhões - o prazo de pagamento passa a ser de 30 anos, a juros de 6% ao ano. Otimista, o governo federal anuncia para janeiro do ano seguinte publicação dos editais de privatização do banco.
Janeiro/98 - Decreto inclui o Banespa no Programa Nacional de Desestatização do governo federal, que declara esperar vendê-lo em junho do mesmo ano.
Março/98 - Governo federal passa a divulgar a expectativa de privatização em setembro daquele ano.
Setembro/99 - Receita Federal cobra do banco impostos atrasados e multas no valor de R$ 2,8 bilhões, equivalente a quase 60% do patrimônio líquido da instituição. Técnicos já falam em novo adiamento da privatização - abril de 2000 foi a data aventada.

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