'A televisão destrói a razão', afirma professor
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quarta-feira, 17 de abril de 2002
Agência Efe 
Genebra - A televisão, diferente do cinema, suspende o processo lógico, provoca um transe interior que aniquila a razão, segundo Eric McLuhan, filho do famoso pesquisador dos meios de comunicação de massa Marshall McLuhan.
Para Eric McLuhan, professor da Universidade de Toronto (Canadá), enquanto o cinema atua sobre as duas partes do cérebro, a esquerda, que é a da lógica, da razão e da escrita, a direita, a das emoções e das imagens, a TV atua apenas sobre esta segunda.
O cérebro reage mais ao meio como tal, que ao conteúdo, explica McLuhan em declarações publicadas ontem pelo jornal suíço Le Temps, nas quais afirma que a televisão é o meio mais simples, barato e rápido jamais inventado para a evasão do indivíduo.
Segundo McLuhan, se um filme é como uma sucessão de fotografias, a televisão não tem nada a ver com a foto: como os raios X, sua luz nos atravessa e nos envolve.
Como o computador, a TV utiliza apenas três cores vermelho, verde e azul , que são do domínio do tato, enquanto que o cinema corresponde ao movimento, assinala McLuhan.
O investigador canadense explica que as pessoas perdem pouco a pouco seu lado racional em benefício de uma implicação mais emotiva, o que se deve a cada vez passar mais tempo em frente ao televisor e diz que Hollywood o tem entendido perfeitamente e por isso há filmes formatados para a pequena tela.
McLuhan se mostra pessimista sobre o futuro da cultura e assinala que com a Internet e outras novas tecnologias, as novas gerações perderam a paciência, necessária, por exemplo, para a leitura.
Hoje pode-se programar a cultura como se reserva uma mesa em um restaurante. Estamos na era das propagandas que compreenderam que a tela de TV e do computador são o meio ideal de falar às pessoas, acrescenta.


