A situação vai ficar ainda mais crítica
O diretor do Samu de Londrina, Sérgio Canavese, comprovou em sua tese de mestrado que o número de acidentes e óbitos têm relação direta com a ingestão de álcool. ''No levantamento que fiz com base em mais de seis mil acidentes que ocorreram na 2 Companhia da Polícia Rodoviária Estadual - que abrange 76 municípios - um ano antes da implantação da Lei Seca e um ano depois, constatei que grande parte deles aconteceu aos finais de semana e no período noturno'', relata.
Além disso, segundo ele, a embriaguez aumenta consideravelmente a gravidade das ocorrências. ''O álcool tem influência direta na perda do senso de defesa, bem como aos reflexos retardados. A possibilidade de óbito é muito maior.'' E, ainda que a lei não tenha sido aplicada com eficiência, devido sobretudo à falta de etilômetros, houve uma redução no número de óbitos de um período para outro: foram 60 mortes a menos.
Mesmo que o teste tenha sido realizado numa quantidade irrisória (em menos de 1% dos 6 mil acidentes), ele credita essa redução à lei, que surtiu efeito no primeiro momento. A ausência de responsabilização criminal sem comprovação de exames, contudo, segundo ele, só abriu mais precedente para a impunidade. ''Os maus motoristas já se amparam na brecha da lei. Agora, a situação vai ficar ainda mais crítica. A decisão do STJ foi um retrocesso.'' (M.T.)





