A sharia é aplicada em 12 estados
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segunda-feira, 25 de março de 2002
France Presse 
Lagos - A sharia (lei islâmica) voltou a ser utilizada em 2000 por 12 estados do norte da Nigéria, onde o islamismo é a religião dominante. Zamfara foi o primeiro estado a aplicar a sharia, vigente desde 27 de janeiro de 2000 em seu território. Desde então, outros 11 estados do norte seguiram seus passos, apesar da oposição dos cristãos e do governo: Bauchi, Borno, Gombe, Jigawa, Kaduna, Kano, Katsina, Kebbi, Niger, Sokoto e Yobe.
A lei islâmica já havia sido aplicada durante séculos no norte, mas durante o regime colonial britânico e nos anos que seguiram a independência alguns de seus preceitos foram conservados no Código Penal.
A Nigéria, onde o caráter laico é a base da Constituição, é o país mais povoado da África, com 120 milhões de habitantes. As divisões internas são consideráveis principalmente nos âmbitos étnico e religioso, com um norte majoritariamente muçulmano e um sul predominantemente cristão.
A sharia proíbe a venda e o consumo de álcool e os transportes públicos mistos e também castiga severamente o adultério e o roubo.
Os cristãos se opõem à sharia, que rege as relações sociais entre homens e mulheres e deixa a justiça nas mãos dos tribunais islâmicos. Mas muitos dos muçulmanos do norte, decepcionados com a má gestão dos governos militares e com o regime civil do presidente Olusegun Obasanjo, acolheram positivamente a instauração da sharia.
Enfrentamentos mortíferos entre comunidades religiosas assolam o país há 20 anos. Em setembro de 2001, mais de 500 pessoas morreram em enfrentamentos entre cristãos e muçulmanos em Jos (centro). Em 2000 houve diversos conflitos. Em fevereiro, entre 2.000 e 3.000 pessoas morreram em lutas inter-religiosas em Kaduna. Os distúrbios se estenderam ao sudeste, causando assim quase 450 mortos em Aba. Em maio, mais de 300 pessoas morreram em Kaduna.
Desde a instauração dos tribunais islâmicos foram ditadas penas severas contempladas na sharia. Dia 21 de março, o governo federal declarou que a sharia é contrária à Constituição.


