A saga de um doutorado
Foi o que aconteceu com a psicóloga Márcia, 45, que prefere manter sua identidade preservada. Formada aos 22 anos, ela logo acumulou dois empregos insalubres, que com o tempo a levaram a ter uma depressão e a se afastar do trabalho. Era o início de uma verdadeira saga.
Anos depois, e aparentemente recuperada, Márcia resolveu tentar o doutorado, seu grande objetivo desde a juventude. E não podia ser numa universidade comum. Decidida a se tornar doutora por uma instituição internacional, ela partiu para uma temporada inicial de quatro meses na Europa (com direito, inclusive, a uma bolsa de estudos). O sonho, no entanto, converteu-se em pesadelo.
''A gente pensa que, por ser no primeiro mundo, tudo será perfeito'', conta a psicóloga, que se viu enredada numa teia de burocracia e desorganização. Da falta de alojamento à demora no recebimento da ajuda de custo, tudo o que de pior poderia acontecer se concretizou. Foram quatro meses de estresse, que culminaram em mais um esgotamento nervoso.
No entanto, Márcia não desistiu e, no começo deste ano, viajou novamente. Dessa vez, sob a ameaça de ser deportada, pois não conseguiu o visto de estudante (apenas de turista). Ainda assim, ela se preparou como pôde: juntou mais dinheiro do que o necessário, teve aulas do idioma, pesquisou a grade curricular...
Deu certo. Em apenas 45 dias, a doutoranda conseguiu completar todos os créditos possíveis e agora produz em casa os trabalhos que faltaram. Sua meta é receber o título até o final de 2011. ''Nós, psicólogos, também temos fraquezas e limites. Cuidamos dos outros e muitas vezes nos esquecemos de cuidar de nós mesmos'', afirma.
As trajetórias de Cláudia e Márcia têm um ponto em comum: o excesso de autocobrança. ''É importante deixar o orgulho um pouco de lado e pedir ajuda. Para a família, os colegas, os professores'', ensina a psicóloga.
Já a professora, que retomou o mestrado com a ajuda de terapia e a compreensão da família, ancora-se, entre outras coisas, nas perspectivas. ''Pense que essa fase é difícil, sim. Mas vai passar. Existe vida depois do mestrado'', garante. (O.G.)





