Sol forte, chuva, frio, cães irritados, cansaço, bolsa pesada. Vida de carteiro não é fácil. Mas eles não reclamam, e acham que outras características da profissão compensam o dia-a-dia de muito trabalho. Respeito da população e a possibilidade de novas amizades estão entre elas. Uma amostra da empatia deste profissional com a população vem do carteiro Valério Lopes de Assis, 28 anos, há cinco nos Correios: ''O bom é trabalhar no final do ano, quando a gente entrega, além de contas, muitas correspondências de pessoas distantes. Muitas vezes compartilhamos a emoção de quem recebe. Ver envelopes coloridos, com desenhos, é bem melhor do que ver só cobranças''.
Valério é um dos 51.407 carteiros do Brasil, e trabalha junto com outros 40 no Centro de Distribuição Domiciliária (CDD) Londrina Oeste. ''É bom sentir a confiança das pessoas. E olha que a gente vai a lugares muito diferentes. Como mudamos de setor todos os anos, conhecemos tanto as regiões mais pobres como as mais ricas da cidade'', conta. Mas em todas, confessa, o maior tormento continua sendo os cães que ficam soltos nas ruas ou nos quintais, próximos às caixas de correspondência. ''Uma vez um deles entrou na frente da moto e não consegui frear a tempo. Caí e me ralei todo.''
Para outro carteiro de Londrina, Antonio Cardin, de 51 anos, a rotina de 8 horas diárias de trabalho pelo menos 4 delas caminhando pelas ruas é cumprida há 28 anos. ''Entrego uma média de mil correspondências por dia, e caminho alguns quilômetros (de sete a nove, segundo a gerência do CDD). Mas o duro mesmo é nos dias de chuva'', revela o ex-lavrador, que aos 24 anos carregou pela primeira vez uma sacola de correpondências no ombro. ''A gente acostuma, criei duas filhas nesta profissão.''
Testemunhas do crescimento e dos problemas vividos nos 5.561 municípios brasileiros, os carteiros são hoje uma espécie de colaboradores de grandes instituições financeiras, empresas e prefeituras. Ontem, por exemplo, grande parte do volume de trabalho nos CDDs de Londrina vinha dos carnês do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que começaram a ser entregues esta semana. Além de entregar em mãos na porta de cada residência, muitas vezes eles esclarecem dúvidas dos contribuintes. ''A gente ajuda no que pode'', resume Valério de Assis.

mockup