A reforma ministerial de FHC
Brasília, 14 (AE) - Coordenação política - Esta função não existe oficialmente no organograma do Palácio do Planalto e hoje é acumulada pelo ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB). O desejo do presidente é nomear um articulador, com gabinete no palácio, para cuidar exclusivamente do relacionamento do governo com sua base de sustentação. O nome de sua preferência é o do presidente da Itaipu Binacional, o ex-deputado tucano Euclides Scalco, que fez a coordenação política da campanha à reeleição. Convidado mais de uma vez, Scalco declinou. Outros nomes foram cogitados: o do governador do Ceará, Tasso Jereissati; o do ex-governador do Paraná, José Richa e o do atual líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Ministério da Justiça - Está certa a saída de Renan Calheiros (PMDB), colocando ponto final em uma novela que se arrasta há meses, desde que chegou ao público a disputa em torno da direção da Polícia Federal. O presidente gostaria de nomear um jurista renomado e com bom trânsito político, para melhorar o relacionamento do governo federal com o Judiciário, mas ainda não encontrou um nome com este perfil. Os nomes dos tucanos Pimenta da Veiga e do deputado Aloysio Nunes Ferreira, relator da reforma do Judiciário, são os mais cotados para assumir a pasta. Ministério das Comunicações - O eventual remanejamento de Pimenta da Veiga poderá levar o atual secretário de Comunicação Governamental, Andrea Matarazzo, outro tucano, a mudar de gabinete na Esplanada. Em janeiro, quando montava a atual equipe
o afilhado do governador de São Paulo, Mário Covas, era o nome preferido do presidente para o cargo, escolha que teve de ser revista para acomodar Pimenta da Veiga - que retornava à cena política depois de longo afastamento - no primeiro escalão. Para este ministério foi cogitado o nome do ex-governador do Rio Grande do Sul, Antônio Britto (PMDB), que conversou com Fernando Henrique nos últimos dias. Amigo próximo do presidente, Britto acaba de deixar um auto-exílio imposto após a derrota na campanha pela reeleição. Ministério da Agricultura - Apesar dos desmentidos, está confirmada a saída de Francisco Turra (PPB). Para o seu lugar, estão cogitados os nomes de Roberto Rodrigues, empresário do setor rural sem filiação partidária oficial, mas com trânsito livre pelo PMDB; e o do deputado Silas Brasileiro, do PMDB mineiro, integrante da bancada ruralista. O nome do deputado Delfim Neto foi descartado. Ministério do Desenvolvimento - O ministro Celso Lafer deixa o governo e sua substituição ainda é uma incógnita. Para o seu cargo está cotado Pimenta da Veiga, como saída para manter a pasta sob a tutela do PSDB. Também foram cogitados os nomes do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, opção rejeitada pelo presidente por causa do escândalo do grampo. Relações Exteriores - A saída Celso Lafer poderá levar ao remanejamento de Luiz Felipe Lampreia. O presidente Fernando Henrique Cardoso ainda não decidiu como acomodar Lafer, que deixou um posto na Organização Mundial do Comércio (OMC) para participar do seu segundo mandato. Uma das idéias seria transferi-lo para o Itamaraty e remanejar Lampreia para outro posto. TAMBÉM MUDA O ORGANOGRAMA ATUAL Secretarias de Estado - Criadas para o segundo mandato, quatro secretarias de Estado poderão ser extintas pelo presidente, para agilizar a administração pública: a de Políticas Regionais; de Planejamento e Avaliação; de Administração e Patrimônio; de Ação Social. Ministério do Desenvolvimento Urbano - Poderá ser criado por Fernando Henrique Cardoso, somando as ações da secretaria de Habitação, conduzida pelo ex-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Sérgio Cutolo; e as da secretaria de Políticas Regionais, hoje nas mãos de Ovídeo de Angelis, que deixará o governo. O senador Paulo Hartung (PSDB-ES) foi cotado para o cargo.





