A polícia no olho da rua
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domingo, 08 de fevereiro de 2004
Renato Lombardi<br>Agência Estado 
São Paulo - Nunca se demitiu tanto nas Polícias Civil e Militar, em São Paulo, por crimes de extorsão, corrupção, seqüestro, tráfico de drogas, violência. E não são apenas policiais com pouco tempo de carreira. Soldados, cabos, sargentos, oficiais, delegados, investigadores, carcereiros, escrivães, com muitos anos de trabalho, têm sido processados e postos na rua ou na cadeia.
No ano passado, 910 foram demitidos nas duas polícias: 673 na PM e 237 na Civil. Na comparação de 2002 com 2003, o aumento foi de 77,6% nas demissões entre os militares e de 37,8% na Polícia Civil. Em 2001, os demitidos na PM foram 244 e em 2002, 379. Na Polícia Civil, em 2001, 193 foram demitidos. Em 2002, 172.
No mês passado, um policial civil com 15 anos de carreira foi preso acusado de tentar extorquir R$ 100 mil de um comerciante. No mesmo mês, um policial militar com 12 anos de serviço foi preso acusado de roubo, tráfico e envolvimento com quadrilha de ladrões de cargas.
Como justificativa para o envolvimento no crime, os dois alegaram dificuldades financeiras. As corregedorias das duas instituições vêm trabalhando cada vez mais na investigação aos corruptos e violentos. As prisões triplicaram e os presídios destinados às corporações estão lotados.
O secretário da Segurança Pública, Saulo Abreu, aponta a Via Rápida e a estrutura das corregedorias para o alto número de demissões e expulsões. Segundo ele, antes da medida, adotada em 2002 pelo governo do Estado, os processos contra os maus policiais se arrastavam por anos, principalmente na Polícia Civil.
Hoje, na PM, a demissão e a expulsão ocorrem em até 45 dias. Na Polícia Civil, o prazo é de 180 dias porque os policiais são enquadrados pelo Estatuto do Funcionário Público. Tem dado resultado. Estamos colocando corruptos, violentos e maus policiais rapidamente na rua, explicou o secretário. Para ele, o número de demitidos não é grande se for verificado o contingente das duas polícias, com quase 140 mil pessoas.
O corregedor da Polícia Civil, Rui Estanislau Silveira Melo, disse que os baixos salários e a falta de meios alegados por alguns dos corruptos não são motivos para se corromper e não trabalhar. Quando ele chega à instituição, sabe o salário que vai receber. O caminho do corrupto é a rua ou a cadeia.
O ouvidor da Polícia de São Paulo, Itagiba Farias Ferreira Cravo, tem a mesma opinião. Quer os corruptos e os violentos fora das polícias. O número de demissões e expulsões deve ser comemorado porque o processo de depuração é eficaz, positivo, e dá força aos honestos, a grande maioria.
Cravo elogiou o trabalho das corregedorias. As punições e demissões indicam que a ação dos que fiscalizam as polícias tem dado resultado, melhorando a qualidade do trabalho, a investigação e a resposta à população.
Ele acompanha o dia-a-dia das polícias. No ano passado a Ouvidoria recebeu 2.672 denúncias contra policiais civis e militares. O trabalho que fazemos aqui é uma integração. Nosso objetivo é o mesmo dos chefes das polícias: eficiência, seriedade e o respeito da sociedade.
A maioria das denúncias contra as polícias foi por infração disciplinar, homicídio, má qualidade no atendimento, abuso de autoridade, corrupção, ameaça, agressão, tortura. Entre os 2.672 denunciados, 988 eram civis e 1.684 militares.


