Desde 2004 na Pastoral Carcerária nos Centros de Detenção da Imigração do Japão, o padre Olmes Milani realiza um trabalho de apoio e assistência junto aos detidos que cumprem pena por crimes diversos ou infração por não terem visto de residência no país asiático. ''Nos casos de documentação, faço visitas individuais ou em grupo de até 5 pessoas'', relata.
Nestes encontros são permitidas conversas na língua do país do detento sem a supervisão de oficiais. ''Informo sobre seus direitos, indico advogados ou instituições que podem apoiá-los para tentar reverter o quadro. Faço uma ponte com os familiares e os apoio humana e moralmente para que não entrem em depressão ou desanimem.''
Já no caso de delitos graves nos presídios, a comunicação é feita somente por meio de cartas com os brasileiros, nas quais ele diz atuar como conselheiro, orientador e agente de esperança. ''Tanto as minhas cartas quanto as deles são lidas pelos oficiais. No caso de existir alguma coisa que não gostem, o preso é chamado para dar explicações'', comenta o padre. Os principais crimes são roubo de carros, e motos, equipamentos eletrônicos, assaltos e drogas.
Com experiências anteriores no Canadá e Estados Unidos, padre Olmes diz que no Japão o sistema é muito rigoroso e severo, cujo objetivo não é somente punir e educar o criminoso ou infrator. ''Aqui, a ideia fundamental é pressionar por todos os meios para que a pessoa se arrependa. O Estado assume o papel de castigar a pessoa em nome daqueles que o criminoso prejudicou.'' Entretanto, ele conta que não tem recebido noticias de maus tratos físicos, embora se saiba que, num passado não muito distante, isso existia. (M.T.)

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