Para emagrecer é só ‘fechar a boca’ e fazer exercícios, certo? Em parte. A ‘dobradinha’ dieta mais atividade física continua fundamental para a perda de peso, mas recentes descobertas científicas mostram que, nos casos de obesidade, é preciso investigar e intervir também em outros fatores. Quem informa é o endocrinologista Leonardo Higashi, de Londrina.
  Uma das novidades, segundo o médico, foi publicada na edição de março da Revista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
A pesquisa mostra que, nos obesos, a flora bacteriana intestinal é alterada. ‘‘Nos obesos, a porcentagem de bacterióides é menor e a de firmicutes é maior que nos pacientes magros’’, indica Higashi.
  Ele explica que ainda não se sabe exatamente o papel dessas substâncias no organismo, e se elas estão alteradas por causa da obesidade, ou se essa alteração contribuiu para a pessoa se tornar obesa. Mas uma das constatações é que essa diferença leva a uma maior extração de energia do alimento. ‘‘A caloria é mais absorvida’’, ressalta.
  Outro fator importante é a regulação do centro de apetite e da saciedade, que fica no hipotálamo, no cérebro. Segundo o endocrinologista, é um centro complexo, influenciado por vários fatores, inclusive hormonais, que, além de regular a fome e a saciedade, também regula o gasto energético do organismo. ‘‘Quem tem esse centro desregulado, tem mais fome, mais impulsividade para comer, e um gasto energético menor’’, explica.
  Segundo Higashi, é preciso considerar ainda causas secundárias para um maior ganho de peso, como o desbalanço hormonal e o uso de alguns tipos de medicações. Ele explica que excesso ou deficiência de hormônios levam a uma maior facilidade para ganhar peso, assim como o uso de alguns medicamentos, como corticosteroides, antidepressivos, anti-hipertensivos e antipsicóticos. ‘‘A gente sabe que no obeso há, normalmente, deficiência de hormônio do crescimento que leva ao acúmulo de gordura. E há trabalhos que mostram que quando é feita a reposição (hormonal), isso melhora’’ ressalta.
  Por outro lado, a gordura, principalmente a abdominal, é considerada um órgão endócrino, e por isso libera hormônios que vão inclusive influenciar o centro de apetite e da saciedade no cérebro. Essa gordura abdominal, explica o médico, leva a uma inflamação de baixo grau crônica. Isso resulta em lesão das artérias e formação de colesterol, levando às doenças coronarianas, e resistência à insulina no pâncreas e no fígado, levando ao diabetes.
  A conclusão que se chega, segundo o endocrinologista, é que quando o assunto é obesidade é preciso atuar em várias frentes, além da dieta e da atividade física - na regulação da flora intestinal com uso de prebióticos, que recuperam a flora, e probióticos, que são bactérias saudáveis, na regulação hormonal, e no equilíbrio do centro de apetite e saciedade, utilizando medicamentos quando necessário. ‘‘A obesidade tem que ser tratada de forma multidisciplinar, com médico, nutricionista, educador físico, e até psicólogo’’, finaliza.

SERVIÇO

■  Leonardo Higashi - (43) 3323-8744, Londrina

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