John Glenn está novamente no espaço, 36 anos depois de seu primeiro vôo em órbita: aos 77 anos realiza seu sonho e oferece à Nasa um magnífico presente de aniversário pelos 40 anos. Os americanos, saudosos da época em que Glenn, em três órbitas, lavou a honra dos Estados Unidos na corrida espacial em plena Guerra Fria com a União Soviética, lhe prestaram homenagem.
O eco deste entusiasmo geral veio do céu com as alavras do herói do dia: ‘‘É absolutamente formidável’’, exclamou o senador três horas depois de seu regresso ao espaço, anteontem. O comandante Curtis Brown destacou que Glenn tinha ‘‘um sorriso de orelha a orelha e ainda não pudemos apagá-lo’’.
A Nasa não podia sonhar com maior operação de relações públicas no momento em que se lança na construção da Estação Espacial Internacional (ISS), um projeto em geral criticado nos Estados Unidos devido ao seu elevado custo.
No entanto, ao anunciar a designação de John Glenn para esta missão no início do ano, o administrador da Nasa, Daniel Goldin, havia precisado claramente que esta escolha respondia a motivos puramente científicos: o estudo do processo de envelhecimento.
Durante esta missão de nove dias, os sete astronautas, entre eles o espanhol Pedro Duque e a japonesa Chiaki Mukai, realizarão 83 experiências científicas, em particular no laboratório Spacelab.
John Glenn será igualmente algo assim como uma cobaia para comparar os efeitos fisiológicos do envelhecimento e, para os astronautas, da falta de gravidade. Entre as perturbações figura um desajuste do sono, uma perda muscular e de massa óssea, uma depressão do sistema imunitário, problemas cardio-vasculares ou perdas de equilíbrio.
A Nasa espera assim poder tirar conclusões das lições do vôo de Glenn para ajudar os idosos: mais de 35 milhões de americanos têm mais de 65 anos e serão 100 milhões no ano 2050. As demais experiências serão consagradas às ciências (biologia, biotecnologia, medicina), assim como à fabricação de materiais ou à física dos fluidos.France PresseA Discovery fará 144 órbitas até o dia 7. Na foto, o compartimento de carga com o satélite Spartan à direitaFrance Presse

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