A mulher é duplamente transgressora
Londrina - Segundo a pesquisadora Mary Neide Figueiró, o relato das mulheres é importante para se ter conhecimento do que pensam e sentem aquelas que passaram pela experiência do aborto. Ao mesmo tempo, verificar se contaram com o apoio do companheiro na decisão e como o procedimento foi realizado. "Somente quando damos voz a essas mulheres constatamos o quanto é difícil compartilharem essa experiência. Das cinco que ouvi, duas disseram que eu era a primeira a saber. Somente um caso teve apoio dos pais", relata.
Ainda de acordo com Mary Neide, três delas contaram ter feito o uso de medicamento para abortar. "Nenhuma sofreu sequela física, mas, certamente, (ficaram com sequela) psicológica." Questionadas sobre a descriminalização, a psicóloga comenta que ausência de punição legal não amenizaria o sofrimento e a culpa das mulheres. "Elas não se sentiriam menos culpadas, mas, da forma como a questão é tratada hoje, a mulher é duplamente transgressora. Mesmo que haja a descriminalização, a acusação moral vai durar muito tempo."(M.T.)





