‘‘A morte está presente de uma tal maneira na nossa rotina no pronto-socorro que chega um ponto que você se acostuma. Não é que você se torne frio, mas voce se acostuma com a situação. Quando acontece de você perder um paciente, você se sente frustado, impotente. No início, isso até prejudicava minha vida pessoal, mas hoje procuro não misturar as coisas. É difícil dar a notícia da morte de um paciente, procuro falar de maneira que a família entenda o que aconteceu. Sou de formação católica e acredito que a vida não termina aqui.’’
Eymard Moro, 43 anos, médico plantonista de pronto-socorro

‘‘Você tem duas maneiras de lidar com a questão da morte, uma emotiva, que você se envolve e sente dor, a outra, mais racional, sem se envolver tanto. Nós lidamos com a morte todos os dias, e você precisa ter mecanismos para lidar com isso de modo mais racional, senão ao final de uma ou duas semanas você está acabado de tanto desgaste emocional. Dar a notícia para a família é complicado, até porque as pessoas não tem preparo para lidar com a questão da morte. A gente procura trabalhar com a família antes de acontecer, falando da gravidade da situação e dos riscos.’’
Clóvis Massato Kuwahara, 33 anos,
médico intensivista (especialista em Unidade de Terapia Intensiva - UTI)

‘‘Estou sempre em contato com a morte, vendo o sofrimento das pessoas. Mas para mim, o trabalho de coveiro se tornou normal. Comecei há oito anos e já no primeiro dia participei de uma exumação e não foi tão difícil. Não tenho medo, trabalhar dentro do cemitério é muito tranqüilo. Tem casos que você sente, quando é a morte de uma criança ou quando é uma mãe que deixou filho novo. Nessas situações você quase que se vê junto com a família. Acredito em vida após a morte, que estamos aqui só de passagem, que estamos aqui só até quando Deus quiser.’’
José Aparecido Lopes, 40 anos, coveiro

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