Os pais de Clóvis, Rufino, 78 anos, e Pierina, 77, se emocionam ao falar do filho. O casal mora em Vilhena, Rondônia, e já perderam a esperança de abreviar a pena de Clóvis. Mas tem um consolo: o filho está preso nos Estados Unidos e não no Brasil. Paradoxal? O pai explica: ‘‘Sabemos que naquela prisão ele não está parado, às vezes é barbeiro, cozinheiro, e nos contou que está estudando inglês. Meu Deus! Às vezes penso como seria se estivesse preso aqui no Brasil, do jeito que as cadeias estão!’’.
Entrevistado por telefone, Rufino lamentou que o filho tenha caído nas armadilhas da ‘‘rede’’ (narcotráfico). ‘‘Ele era peão. Só transportou a droga para aquela gente e não foi preso com arma na mão; ele não é violento nem mau’’.
O casal diz ter recebido com desespero a notícia de que o filho foi preso no Paraguai. ‘‘Ficamos com medo que estivessem torturando ele na prisão e a pedi que duas filhas minhas fossem visitá-lo e me disseram que estava sendo bem cuidado. Fiquei mais calmo’’, lembra Rufino.
Agora, as notícias sobre Clóvis, segundo os pais, chega por carta, uma vez por mês, ou então por telefone, isso quando ele consegue se comunicar. ‘‘A tristeza que a gente sente é muito grande, e principalmente quando lembro que meu filho chorou muito com tudo isso’’, conta Pierina, sem conter os soluços. ‘‘Só peço a Deus para que ele venha logo para casa’’.
Mas a tristeza e a angústia ainda rondam o casal, que espera ansioso o tempo passar e a pena ser cumprida. ‘‘Nós precisamos dele. Somos dois velhos e pobres, e muitas vezes precisamos de alguma coisa e não temos dinheiro para comprar. Meu Deus! Liberem ele logo’’, apela a mãe. Seus dez filhos estão espalhados pelo Brasil, e todos são pobres.

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