A lista de remédios sob suspeição é cada vez maior
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quinta-feira, 16 de julho de 1998
Marcos NegrineMaria Teresa: crescimento assustaMarccio W. Varella 
A chefe da Divisão de Vigilância da Secretaria de Saúde de Maringá, médica Maria Teresa Coimbra, disse ontem que a lista de medicamentos falsificados que chega semanalmente às suas mãos está crescendo de forma assustadora e se for necessário fazer ampliar a fiscalização nas 140 farmácias da cidade o órgão não terá pessoal suficiente.
A Vigilância Sanitária de Maringá, coordenada por Maria Teresa, tem seis funcionários: uma farmacêutica, uma enfermeira, dois agentes que fazem a fiscalização e dois técnicos de nível superior.
Ontem, Maria Teresa recebeu da Coordenação de Controle de Qualidade do Serviço de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde uma nova lista, desta vez com 65 produtos suspeitos de falsificação. A lista da semana passada trazia 63 medicamentos suspeitos. A primeira lista, enviada em janeiro deste ano, lembra Maria Teresa, tinha apenas três medicamentos suspeitos de falsificação.
A lista traz os lotes dos medicamentos suspeitos; com esses números nas mãos, os fiscais os comparam com os lotes comprados pelas farmácias. Checamos a relação das farmácias e seus respectivos lotes e ainda olhamos nas prateleiras. Se houver algum lote suspeito, retiramos de circulação e autuamos a farmácia e seus responsáveis, explicou Maria Teresa.
Por enquanto, os fiscais da Vigilância Sanitária de Maringá apreenderam um vidro de Androcur e dez caixas do anticoncepcional Nordette. A médica Maria Teresa disse que o anticoncepcional Microvlar não está sendo retirado das farmácias. O medicamento fica sob interdição cautelar, o que proíbe a farmácia de vendê-lo.
A lista que chegou ontem a Maringá pede à Vigilância Sanitária para retirar do mercado todos os remédios fabricados pelos laboratórios Walcon e Notrofarm, ambos de Belo Horizonte (MG), e Lloagner Farma do Brasil, de Pinhais (PR). Esses laboratórios, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, não têm autorização do Ministério da Saúde para fabricar medicamentos.
Entre os medicamentos mais conhecidos, a lista coloca sob suspeita os seguintes produtos: dois lotes (registros WO277EB e WO207DC) de Epivir (para doentes de Aids), um lote (6B70663) de xarope Aerolin, um lote (7DO412) de Antak (para gastrites), um lote (TAH5068) do antibiótico Amoxil suspensão, um lote (800157) do antitérmico Tylenol, dois lotes ( 96071496 e 96107712) de Decadron, além de antibióticos potentes usados apenas por hospitais.
A lista semanal é cumulativa, e a ela são acrescentados os novos medicamentos colocados sob suspeita pela Vigilância Sanitária. No caso do Antak, por exemplo, muita gente no mês passado ligou pra cá dizendo que ele não estava fazendo efeito em casos de gastrite, e o efeito dele é imediato. Nós não podíamos fazer nada. Agora, o Antak está na lista e quem estiver vendendo o lote falsificado vai se dar mal, garantiu Maria Teresa.
Do jeito que a lista está crescendo, só a Vigilância Sanitária não vai dar conta da fiscalização, reclamou a médica. As seis distribuidoras de medicamentos de Maringá já foram fiscalizadas: não foi encontrado nenhum medicamento sob suspeita. O problema é que muitas farmácias compram medicamentos de distribuidoras de fora, e isso pode aumentar mais ainda o trabalho dos fiscais, disse Maria Teresa.


