Londrina - Combater o alto índice de analfabetismo funcional que assola o sistema educacional brasileiro está entre os principais objetivos do Programa Folha Cidadania, desenvolvido há 19 anos pela Folha de Londrina. Ao levar para a sala de aula, toda terça-feira, uma edição especialmente elaborada para atender alunos do quinto ano do fundamental ao ensino médio, pretende-se desenvolver desde cedo o hábito da leitura e do senso crítico. Hoje mais de 20 mil alunos são atendidos direta e indiretamente pelo programa, que atua em 132 escolas de Londrina e de mais seis cidades da região (Alvorada do Sul, Cambé, Fênix, Ibiporã, Jataizinho e Rolândia). Recentemente o Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii e o Sicredi União PR vieram somar forças com a Folha no âmbito da responsabilidade social ao se tornarem os novos patrocinadores do programa.
"É fundamental contar com os patrocinadores para o projeto poder crescer, atingindo maior número de alunos das escolas participantes bem como alcançando novas escolas tanto em Londrina como em outros municípios. Os patrocinadores viabilizam a manutenção e expansão do projeto fomentando o desenvolvimento social da comunidade, nos ajudando a combater o analfabetismo funcional", destaca Allessandra Vieira Mejía, coordenadora do programa.
Durante visita de alunos da Escola Municipal Olavo Soares, de Cambé, à sede da Folha de Londrina e ao parque gráfico, realizada no dia 29 de abril, a superintendente de marketing Renata Sarmento e a coordenadora Larissa Squizzato, do Instituto, tiveram a oportunidade de interagir com as crianças e falar sobre a importância da parceria. "É muito importante para nós alinhar a nossa marca com esse tipo de projeto, que visa o desenvolvimento da comunidade paranaense", ressalta Renata, lembrando que o grupo A.Yoshii começou em Apucarana, há 48 anos. "Faz parte da filosofia da empresa buscar o desenvolvimento sustentável e retribuir à comunidade o apoio que recebemos", acrescenta.
Nos canteiros de obras, a construtora ainda desenvolve projetos de incentivo à leitura e alfabetização. Também montou uma biblioteca na empresa e mantém um clube da leitura entre os funcionários. Projetos educativos na área ambiental também são um diferencial do grupo A.Yoshii. "O Folha Cidadania está em total harmonia com a proposta do grupo A.Yoshii e esperamos que a nossa parceria seja duradoura", pontua Larissa.
Já na semana passada, foi a vez do presidente do Sicredi União PR Wellington Ferreira e o diretor executivo Rogerio Machado formalizarem o patrocínio do Programa Folha Cidadania com a assinatura do contrato. "Essa parceria com a Folha de Londrina contribui para melhorar a educação e o nível de formação profissional, que o nosso país tanto demanda. É um trabalho que envolve toda a sociedade e cada um deve fazer a sua parte; é muito cômodo apenas criticar", pondera Ferreira. Há cinco anos o Sicredi desenvolve o programa A União Faz a Vida em quatro cidades do Paraná – Londrina, Nova Esperança, Santa Fé e Munhoz de Mello -, sendo que a iniciativa deverá ser ampliada para mais sete cidades nos próximos dois anos. O programa inclui metodologia própria para a formação continuada de professores e atividades com alunos na área da educação cooperativa e cidadã.
Com relação ao incentivo à formação de jovens leitores, eles consideraram isso fundamental. "A incapacidade de ler e interpretar corretamente um texto é quase que uma deficiência cultural da educação básica brasileira e que irá prejudicar seriamente a formação dos nossos alunos, futuros profissionais", alerta Ferreira. "Acho que a função do professor na sociedade brasileira não está valorizada e isso gera problemas na área motivacional. Procuramos com a metodologia do União Faz a Vida melhorar o senso de criatividade e de colaboração para que tenhamos pessoas mais empreendedoras e o Folha Cidadania complementa essa proposta", conclui Machado.
Folha Cidadania na sala de aula
Na Escola Municipal Professora Izaura Ferreira Neves, em Cambé, o Programa Folha Cidadania está presente desde o início de sua atuação e tem gerado resultados positivos. Segundo a coordenadora pedagógica Jéssica Eduardo Alves, os alunos demonstram muito interesse nas atividades com o jornal. "No começo, quem tem um certo receio são os professores porque a dinâmica com jornal envolve trabalho em grupo, mexe com o andamento da sala, mas logo o trabalho se torna bem prazeroso", afirma. "É interessante ver como há troca de informações entre os alunos, como o jornal abre portas para que conheçam as vozes presentes na sociedade", comenta.
Com os diferentes gêneros textuais apresentados no jornal impresso, ela explica que é feito um trabalho gradativo que começa com a exploração da parte estrutural para depois ir aprofundando no conteúdo textual e interpretativo. "No final do ano costumamos produzir um jornal da escola e trazer o contexto da notícia para a nossa realidade", informa.
Como resultado, ela observa que com o tempo os alunos vão aprendendo a "expressar melhor suas ideias, a ter mais argumentos e a relacionar as notícias ao próprio cotidiano, dando sentido a elas, o que é muito importante na formação de leitores". "E como é raro os pais criarem o hábito da leitura nos filhos, a escola tem no jornal um grande aliado", garante.

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