ROMA (AE-AP) - Com as "mamas" ligando para seus filhos, os filhos ligando para suas namoradas e praticamente todo mundo ligando para alguém para discutir o que há para o jantar, os italianos encontraram algo mais para se apaixonarem: telefones celulares.
Mas a mania italiana pelo objeto (o número de celulares na Itália superou o de telefones convencionais neste verão) significa um grande crescimento no número de transmissores necessários para que as conversas high-tech aconteçam normalmente. Este é o ponto em que os italianos, da Sicília aos Alpes, estão se desentendendo. Cidadãos estão tomando conta da indústria de celulares e brigando por causa da instalação de transmissores em suas comunidades.
"Temos tido enormes dificuldades em realizar nossos planos"
diz Pietro Porzio Giusto, vice-presidente da TIM, a maior operadora de celulares da Itália. "Haverá problemas ainda maiores nos horários de pico", explica. "As linhas estarão ocupadas".
Não é o que deve acontecer a Federico Polidoro, em cujo prédio de oito andares está estendida uma faixa de protesto contra a instalação de um transmissor. "Nós impedimos a chegada dos guindastes quatro vezes", diz ele. "Descobrimos o fato por acidente no mês de dezembro, quando percebemos que algumas pessoas estavam tentando instalar o transmissor".
Polidoro, um estatístico de 35 anos que mora no sétimo andar, disse que coletou, com a ajuda dos outros inquilinos, 1.500 assinaturas de protesto entre a vizinhança, onde cinco torres já foram erguidas.
Consumidores ativistas dizem que uma das táticas das operadoras é procurar por prédios onde os apartamentos são alugados ou que pertençam a instituições religiosas e evitam condomínios, onde os ocupantes decidem o que fazer.
Mas aqueles que anseiam por ter um transmissor em seus domínios podem, atualmente, fazer seu preço. O resultado, de acordo com Porzio Giusto, é que os custos dobraram. "Nós temos pago preços exorbitantes", afirma. De acordo com as companhias operadoras, são necessárias de 200 a 300 novas torres a cada mês para manter o crescente número de celulares em uso. Neste verão, o número de celulares no país, que tem 57 milhões de habitantes, atingiu a marca dos 25 milhões de aparelhos. Na Europa, apenas os países escandinavos batem a Itália em número de celulares por habitante.
Polidoro reconhece que há uma contradição no país que abraça os telefones celulares mas recusa os seus transmissores. "Mas o uso do celular é uma escolha individual. Um transmissor sobre sua cabeça ou num local próximo é outra coisa", diz.
Como seus colegas das outras duas operadoras de telefones celulares, TIM e Omnitel, Roberto Piermarini, da Wind, afirma que políticos locais acabaram com o sentimento "anti-transmissores". Ele lembra que os protestos tomaram força na última primavera, antes das eleições italianas.
"Nós reagimos explicando que os temores da população eram infundados", diz Antonio Bernardi, diretor de negócios da Omnitel.
As companhias de telefone dizem que não há evidências conclusivas de que a exposição às ondas eletromagnéticas emitidas pelas torres causem problemas de saúde. "Eles dizem que nada foi provado, mas a emissão acontece 24 horas por dia", comenta Alessandro Maggini, apontando para a torre da Omnitel, que fica a 15 metros da sua casa. "Não é como um aparelho de televisão que você desliga".
Por uma lei de 1998, a Itália possui padrões muito mais rígidos para regular a intensidade de campos eletromagnéticos gerados por transmissores do que qualquer outro país da União Européia. "A percepção do perigo é fortemente distorcida", afirma Angelo Lozito, físico da Legambiente, um grupo de proteção ambiental. "As pessoas desconhecem que em casa o rádio-relógio e a geladeira produzem muito mais poluição eletromagnética".

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