São Paulo, 19 (AE) - O empresário Antonio Ermírio de Moraes, superintendente do Grupo Votorantim, disse hoje que mesmo com juros menores, a inflação não voltará, pois o mercado está abastecido e há cautela no consumo por parte do brasileiro. "O brasileiro sofreu muito com as mudanças na economia e sabe como é bom viver em um País sem inflação, pelo menos sabe os preços dos mais variados produtos", disse.
Ermírio voltou de uma das raras viagens que faz ao exterior, tendo visitado o Colorado, nos Estados Unidos e depois prolongado sua viagem à cidades do Canadá. Uma viagem de uma semana. Ermírio disse que a imagem do País lá fora é boa, havendo muito interesse em notícias sobre a recuperação da economia brasileira.
Comentou que a decisão do Federal Reserve em preservar as taxas de juros nos Estados Unidos, é boa para o País, mesmo que tenha uma tendência de alta, mas acredito que "a economia americana, por si só vai se defender da inflação, evitando aumento de taxas de juros. Quanto ao Brasil, vamos torcer para que as taxas caiam mais. Ainda estão bem elevadas, quase 500% a mais do que se pratica em países desenvolvidos com 4,5% ao ano. Aqui, as taxas inibem novos investimentos e geração de novos empregos".
Segundo ele, a redução das taxas de juros traz mais oxigênio para a economia, em todos os sentidos, pois permite uma maior evolução dos investimentos. "Com os juros elevados, os empresários seguram investimentos e preferem aplicações financeiras, na sua maior parte. Além disto, mesmo com redução dos juros, a aplicação financeira no País ainda é interessante para o capital estrangeiro. Por isso não há perigo em se reduzir um pouco mais as taxas", observou.
Ermírio disse ainda que atualmente o mercado interno está reagindo bem e comprando mais alumínio, níquel, zinco e cimento, produtos fabricados pelo Grupo Votorantim. "Estamos exportando apenas 35% da produção de alumínio. Quanto ao zinco, a produção da Companhia Mineira de Metais é apenas para o atendimento interno, não se exporta". O Grupo Votorantim poderá chegar a cerca de US$ 500 milhões em exportações em 99.
O empresário não acredita que se chegue a cerca de US$ 10 bilhões no saldo da balança comercial em 99. "Creio que poderemos ficar nos US$ 7 bilhões, mas já tem gente por ai, comentando que o País terá um saldo na balança comercial de US$ 5 bilhões. Vamos torcer para o melhor".

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