A IBM anuncia planos de construir supercomputador
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segunda-feira, 06 de dezembro de 1999
Por Jared Sandberg, da Newsweek 
Nova York, 06 (AE-NEWSWEEK) - A companhia surpreendeu o mundo há dois anos, quando o seu computador Deep Blue derrotou o melhor enxadrista, Garry Kasparov, infligindo uma derrota simbólica, que todos julgavam impossível, à humanidade.
Atualmente o Deep Blue está em um laboratório com ar-condicionado, desfrutando de uma semi-aposentadoria e jogando algumas partidas ocasionais. Mas esta semana a IBM deverá expor um plano ainda mais ousado. Ela investirá US$ 100 milhões no desenvolvimento de um supercomputador revolucionário, na tentativa de derrotar inimigos mais formidáveis do que o petulante campeão de xadrez russo: tudo, desde a gripe comum, até o câncer.
A velocidade da máquina proposta, que se chamará Blue Gene, é astronômica. Ela realizará um quatrilhão de operações por segundo - são 15 zeros - o que o converterá no primeiro computador "petaflop." Ele será 500 vezes mais rápido do que os mais velozes supercomputadores atuais e 2 milhões de vezes mais rápido do que os PCs. Monty Denneau, um dos inúmeros gênios que trabalham nos laboratórios da IBM, explicou que, se a velocidade de um PC convencional fosse representada em um gráfico de barras com a altura de uma polegada (0,254m) o gráfico de barras do Blue Gene atingiria mais de 48 km.
Paul Horn, diretor de pesquisas da IBM, acrescentou: "Ninguém é tão tolo - ou tão inteligente - como nós para tentar fazer isso." Por que o Blue Gene precisará ser tão veloz? O plano quinquenal não é só uma tentativa de criar uma arquitetura de computador inteiramente nova. Trabalhando em cooperação com indústrias farmacêuticas, a IBM espera resolver um dos maiores mistérios da biologia molecular: o modo pelo qual as proteínas que nossos genes produzem assumem suas formas formas funcionais. Quando os cientistas compreenderem melhor esse processo, poderão simular os efeitos das drogas sobre essas proteínas e, potencialmente, realizar curas. A complexidade da tarefa é tal que os computadores de hoje mal poderiam simular uma fração do processo.
"Mas a falta de potência dos computadores", adverte Peter Kim, biólogo do Whitehead Institute, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), "está longe de ser o único problema." Para executar o projeto, a IBM combinará, pela primeira vez, vários projetos conhecidos. Para começar, as máquinas usarão um milhão de processadores; as grandes máquinas computadoras de hoje usam aproximadamente 5.000. Em vez de forçar cada processador a se comunicar com os sistema de memória por um canal relativamente lento, a IBM embutirá memória no processador
para aumentar a velocidade do computador. Em segundo lugar, os processadores serão pequenos e simples, sem os sistemas de armazenamento de dados, que consomem muita energia, conhecidos como caches. E cada um dos processadores trabalhará simultaneamente com oitos séries de instruções de computador, conhecidas como fios (threads). Ademais, os pesquisadores da IBM afirmam que as comunicações entre os chips atingirão uma velocidade capaz de processar todo o conteúdo de Web em uma fração de segundos.
Tudo isso será suficiente para deixar os pesquisadores "babando", conforme expressão de um cientista de universidade, se o Big Blue preencher esses planos maravilhosos. É justamente essa a espécie de reação que a IBM mais deseja. Como o Deep Blue
essa nova iniciativa poderia produzir uma grande quantidade de comentários favoráveis na imprensa, e, ao mesmo tempo, teria um impacto maior do que teve o Big Blue sobre a humanidade. A IBM também espera que um projeto de grande efeito como esse ajude a atrair os talentos de alta tecnologia que foram atraídos antes pela Web.
Durante a épica partida de xadrez, Deep Blue jogou, em alguns momentos, "como um deus", segundo palavras de Kasparov. Se o Blue Gene ajudar a resolver os mistérios moleculares da vida, Deus talvez esteja olhando por cima de seu ombro.


