Londrina – No dia 31 de agosto de 1988 a FOLHA publicava que o Centro Cívico, em Curitiba, "pela primeira vez em sua história foi palco da utilização de bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral pela Polícia Militar contra uma passeata de professores". A história se repetiu ontem, porém, com dimensões bem maiores.
Os professores daquela época estavam em greve por aumento salarial e caminhavam em direção ao Palácio Iguaçu para cobrar do então governador Álvaro Dias (que era do PMDB) a abertura de diálogo. Foram recebidos pela PM, cerca de 270 homens, segundo o governo. "Treze homens da Polícia Montada partiram para cima do carro de som do Sindicato dos Bancários, agredindo as pessoas que estavam ao redor."
Vinte e sete anos depois, mobilizados pela falta de acordo com o governador Beto Richa (PSDB) em relação a proposta que mudou a Paranaprevidência, os professores foram recebidos por aparato nunca visto, com mais de 3 mil homens. Para justificar dez professores presos, além das dezenas de feridos, o governo Dias alegou "distúrbio da ordem social". Ontem, o governo viu "vandalismo" provocado "por manifestantes estranhos ao movimento dos servidores", para defender o avanço da tropa. A tragédia do passado foi insuficiente para evitar a repetição de cenas que os paranaenses pensavam jamais reviver.

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