'A gente tinha pouca perspectiva'
Pedro, 37 anos, e Eduardo, 35, cumpriam pena em regime fechado na Casa de Custódia de Londrina (CCL), mas tinham direito ao semiaberto há meses - não conseguiam a progressão simplesmente porque não tinham advogado para pleiteá-la.
''Eu trabalhava lá dentro (no regime fechado), mas estava tudo parado, não acontecia nada'', diz Pedro. Ele permaneceu no fechado indevidamente por sete meses; Eduardo, por seis. Ambos não tinham dinheiro para contratar um advogado. ''Eu até tive um advogado, lá em Foz do Iguaçu (onde mora a família), mas ele não estava fazendo nada. Depois, pediu mais dinheiro, aí eu não tive condições'', lembra Eduardo.
Ambos só conseguiram migrar para o semiaberto depois que assistentes jurídicos da Defensoria Pública do Paraná começaram a atuar na CCL. Hoje, os dois apenados trabalham durante o dia na própria casa de custódia, na limpeza e na manutenção. À noite, dormem em um quarto em setor separado dos apenados do regime fechado. ''A gente vê TV, lê um livro. Não tem muita coisa para fazer'', brinca Pedro.
Eles esperam conseguir até o final do ano a progressão para o regime aberto. Nada mal para quem, até o ano passado, parecia esquecido na carceragem da CCL. ''A gente tinha pouca perspectiva. Eles (os assessores da defensoria) ajudaram muito a gente'', diz Eduardo.
Os dois apenados foram identificados nesta matéria com pseudônimos, para que suas identidades fossem preservadas. (F.G.)





