É só começar a malhar para querer ganhar músculos. Mas usar suplementos nem sempre é o caminho mais rápido e seguro. Com um mercado em franco crescimento, o maior problema, na avaliação da nutricionista e professora de educação física Renata Borges Januário, é justamente a falta de informações. Este foi um dos temas discutidos durante a 5 Semana da Saúde da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina, evento dirigido aos cursos da área de saúde da instituição.
A oferta de suplementos é grande - carboidratos, proteínas, aminoácidos e outras substâncias podem ser encontradas em pó, gel, barra, líquido, cápsulas ou tabletes. E, na grande maioria, são usadas ou para aumentar a massa magra (músculos) ou para promover o emagrecimento.
É preciso avaliar a composição corporal e a situação nutricional da pessoa, para determinar como ela pode atingir seu objetivo, seja aumentar ou diminuir o peso. ''Dependendo do objetivo, a gente tem uma estratégia diferenciada, mas nem sempre significa que vai precisar de suplementos, porque teoricamente os nutrientes deveriam ser ingeridos através da alimentação''.
Em esportes, o suplemento é muito utilizado porque a necessidade diária do atleta, tanto em relação aos nutrientes, quanto em relação a calorias, é muito maior do que para o indivíduo saudável, simplesmente ativo. ''Tem atletas que treinam oito horas por dia e se não fizerem uso de suplementação é praticamente impossível conseguir uma dieta adequada''.
Para praticantes de exercícios regulares ''só quatro vezes por semana, uma hora por dia'', é possível conseguir uma boa nutrição apenas com uma dieta adequada. ''Mas, se para aquela pessoa, o suplemento é um estímulo para treinar, ela se sente melhor, a gente coloca na dieta uma proteína, um carboidrato, para dar energia na hora do treino'', avalia.
Ela ressalta que há até o efeito psicológico em relação a suplementação. É comum a pessoa que quer emagrecer e começa a tomar o suplemento, também passe, ''mesmo que inconscientemente'', a reduzir a ingestão alimentar e aumentar a atividade física. ''Ela vai ter o resultado, não porque o suplemento fez efeito, mas porque modificou seus hábitos''.
Os suplementos não estão isentos de efeitos colaterais. As reações adversas passam pelo desconforto gastrointestinal, cãimbras e até sobrecarga da função renal-hepática, dependendo da dosagem. ''Quem ingere uma quantidade acima do recomendado, não terá benefícios extras, mas, efeitos colaterais extras, ou de maior magnitude'', diz, lembrando que os suplementos devem ser indicados por nutricionista.
Vale acrescentar que suplementos e anabolizantes não são produtos similares. Renata explica que os suplementos são recursos ergogênicos, derivados de alimentos, enquanto os anabolizantes são recursos farmacológicos, hormônios ou precursores de hormônios, ''substâncias que vão causar sérios prejuízos para nosso organismo, efeitos colaterais bem mais graves''.

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