São Paulo- Dietas cada vez mais restritivas, principalmente com a chegada do verão, e maus hábitos alimentares estão entre os principais fatores que desencadeiam a fome oculta. A falta de levantamentos sobre o mal no País impossibilita qualquer estatística sobre o problema, mas o que se sabe é que uma em cada quatro pessoas no mundo - independentemente de nível social - podem ter a doença sem saber. Com o aumento da incidência de casos, especialistas do Brasil e do exterior engrossam o alerta.
A fome oculta é a alteração do nível ou deficiência de nutrientes indispensáveis ao organismo, sem caracterizar-se de forma explícita, conforme definição da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ou seja, o cérebro envia uma mensagem de ''fome'', mas o organismo não dispõe de sensores para necessidades específicas, de vitaminas ou minerais. Para o nutrólogo Douglas Carignani Júnior, da Sociedade Brasileira de Nutrologia, essa falta de consciência do corpo contribuiu para o aumento dos casos. ''A pessoa come e continua com fome porque é uma fome específica'', finaliza Carignani Júnior.
A doença está relacionada a diversos aspectos, sendo o principal deles a má alimentação. Mas o fator comer adequadamente não está só na variedade de comida, inclui mastigar bem o alimento possibilitando ao organismo absorver satisfatoriamente todos os nutrientes.
Os nutricionistas reconhecem que, em geral, o brasileiro come mal e tem hábitos alimentares nada saudáveis. É um lanche na esquina, um churrasco no bar e por aí vai. Para quem come às pressas, uma recomendação: dedique pelo menos meia hora para almoçar. Já quem segue dieta para perda de peso, especialmente aquelas mulheres que vivem em busca de um corpo ''perfeito'', a história muda totalmente. Os profissionais da saúde recomendam cautela ao se aderir a uma dieta. A orientação de uma nutricionista e o acompanhamento de um endocrinologista são essenciais.
''As pessoas se alimentam mal, comem muito fast-food. Quando estiver na rua, o ideal é optar pelos restaurantes a quilo'', recomenda Michelle Rasmussen Martins, nutricionista da divisão de nutrição e dietética do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Alia-se a esse cenário o aumento do consumo de congelados, que também preocupa os médicos. ''O congelamento destrói muitas substâncias, assim como o preparo no microondas'', lembra o nutrólogo Carignani Júnior.

mockup