À flor da pele
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de março de 2010
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Nervos à flor da pele - quem nunca esteve nessa situação de estresse e nervosismo? Mas, a expressão pode significar ainda mais - o início ou agravamento de doenças, de pele e emocionais. A relação entre a pele e as emoções se dá no início da vida, na formação do embrião humano, e, como estão intimamente ligados, um pode ser causa de doença do outro.
O dermatologista Airton Gon, de Londrina, explica que ambos - pele e sistema nervoso - tem origem no mesmo folheto embrionário, chamado neuroectoderma. E que a íntima relação tem suas consequências: ''A relação entre pele e emoções pode se dar de várias maneiras, em uma via de mão dupla. As emoções podem desencadear ou agravar doenças da pele, e esta, por sua vez, pode desencadear ou agravar problemas emocionais''.
Ele cita como exemplos de doenças de pele comumente relacionadas ao emocional a psoríase, o vitiligo, a dermatite atópica, a urticária crônica, a hiperidrose (suor excessivo das axilas, mãos e pés) e a alopecia areata, queda de cabelos ''aos tufos'', de forma circular. ''Por outro lado, doenças de pele que provocam estigmas pela sua aparência, quando as lesões acometem áreas visíveis como face e mãos, costumam levar a sentimentos de baixa autoestima, depressão, isolamento social'', ressalta.
A pele é o maior órgão do corpo humano, o mais sensível, o mais rico em receptores neurológicos e por onde nos 'comunicamos' com o mundo -''através dela sentimos o toque, o calor, o frio, a pressão, a lesão, a dor e as experiências emocionais que serão bagagem a carregar por toda uma vida'', ressalta o endocrinologista José Cervantes-Loli, especialista em medicina psicossomática, de Apucarana. ''A pele passa a ser o espelho do funcionamento do organismo. Sua textura e cor podem refletir o estado do nosso corpo e da nossa mente'', ressalta.
É através da pele, cita o médico, ''que o bebê adquire percepção da sua mãe, se ela o acolhe, se é dócil ou não''. ''E a partir daí já poderia começar a determinar a sua relação afetiva também com o mundo''.
Exemplo bastante estudado de patologia psicossomática da pele, segundo Cervantes-Loli, é a dermatite atópica, que teria origem em estímulos inadequados da mãe com o bebê. ''Devido à alta necessidade de excitabilidade da pele desta criança, frente a uma mãe hostil, imatura, que a estimula de menos, ela não se sente adequadamente gratificada'', explica. Na fase adulta, ela adoece ao se deparar com situações de estresse que a fazem regredir emocionalmente.
Para a psicóloga Márcia Cristina Caserta Gon, professora associada do departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina (UEL), nosso corpo responde com um todo àquilo que acontece ao nosso redor. ''Se algo em nossa vida vai bem ou mal, nossa pele poderá sentir também. Uma pessoa estressada, por exemplo, terá uma diminuição da atividade de seu sistema imunológico, deixando o organismo mais vulnerável ao aparecimento de problemas de pele'', afirma.


